O “debate nacional” promovido por Macron não deu resposta aos anseios e reivindicações pela justiça social dos “coletes amarelos” franceses. Este sábado, saíram à rua pela vigésima semana consecutiva mais de cem mil pessoas, nas contas dos organizadores (33.700 segundo o governo).
Para tentarem evitar a repetição dos confrontos e destruição nas ruas, várias cidades decretaram a proibição de manifestações em determinadas zonas. O governo prometeu novo dispositivo policial em larga escala para garantir as zonas livres de manifestantes. Em Paris, os Campos Elíseos e as proximidades do Eliseu e do parlamento foram declaradas zonas proibidas. As manifestações decorreram de forma pacífica na capital francesa, com as habituais reivindicações por aumentos de salários e reformas, taxação dos ricos e justiça fiscal, referendos de iniciativa cidadã ou a revogabilidade dos mandatos políticos.
De la Gare de l'Est au #Trocadero, le cortège parisien s'est déroulé dans le calme #GiletsJaunes #ActesXX #Acte20 #30Mars2019 #30Mars pic.twitter.com/HLM0VGk8bs
— Sami (@sami__aj) 30 de março de 2019
Mas também há registo de novas situações de violência policial injustificada, como é o caso da manifestação em Besançon que ficou registada neste vídeo:
allo @Place_Beauvau - c'est pour un signalement - 595
Coup de matraque à la tête#ActeXX, Besançon
Source: @emma_audrey_fr pour @m25_fr pic.twitter.com/prxGcE5LFN— David Dufresne (@davduf) March 30, 2019
No sábado passado, uma ativista de 73 anos da associação Attac, Geneviève Legay, ficou gravemente ferida após uma queda provocada por um polícia.
O procurador de Nice e o próprio presidente Emmanuel Macron negaram que a manifestante em causa tivesse estado em contacto com qualquer agente policial, mas o Le Monde reuniu fotografias e vídeos de vários autores presentes no momento, concluindo que Geneviève foi mesmo empurrada por um agente.
Em Nice, a manifestação passou à porta do hospital Pasteur, onde Geneviève continua internada, e pela sede da polícia, onde exigiram a prisão do comissário responsável pela operação da semana passada.
Esta semana, houve menos confrontos entre manifestantes e polícia, com os mais graves a ocorrerem em Bordéus, Saint-Etienne e Montpellier. Para Eric Drouet - um dos promotores dos primeiros protestos, quando no topo da agenda estava a luta contra os aumentos dos combustíveis - “são eles [o governo] que andavam à procura da violência. São eles que põem em prática o serviço de ordem, então, se há violência é porque o serviço de ordem não era bom”, afirmou o camionista de 34 anos ao Parisien.
Em várias cidades, os coletes amarelos tiveram a companhia de outras mobilizações marcadas para este sábado, como manifestações de professores contra a anunciada reforma da educação ou de associações pelo direito à habitação.