Coletes amarelos voltaram às ruas pela vigésima vez

30 de março 2019 - 23:29

Apesar das proibições decretadas em várias cidades e das ameaças do governo aos manifestantes, milhares de pessoas protestaram este sábado em toda a França.

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Manifestação deste sábado em Paris. Foto de Julien de Rosa/EPA

O “debate nacional” promovido por Macron não deu resposta aos anseios e reivindicações pela justiça social dos “coletes amarelos” franceses. Este sábado, saíram à rua pela vigésima semana consecutiva mais de cem mil pessoas, nas contas dos organizadores (33.700 segundo o governo).

Para tentarem evitar a repetição dos confrontos e destruição nas ruas, várias cidades decretaram a proibição de manifestações em determinadas zonas. O governo prometeu novo dispositivo policial em larga escala para garantir as zonas livres de manifestantes. Em Paris, os Campos Elíseos e as proximidades do Eliseu e do parlamento foram declaradas zonas proibidas. As manifestações decorreram de forma pacífica na capital francesa, com as habituais reivindicações por aumentos de salários e reformas, taxação dos ricos e justiça fiscal, referendos de iniciativa cidadã ou a revogabilidade dos mandatos políticos.

Mas também há registo de novas situações de violência policial injustificada, como é o caso da manifestação em Besançon que ficou registada neste vídeo:

No sábado passado, uma ativista de 73 anos da associação Attac, Geneviève Legay, ficou gravemente ferida após uma queda provocada por um polícia.

O procurador de Nice e o próprio presidente Emmanuel Macron negaram que a manifestante em causa tivesse estado em contacto com qualquer agente policial, mas o Le Monde reuniu fotografias e vídeos de vários autores presentes no momento, concluindo que Geneviève foi mesmo empurrada por um agente.

Em Nice, a manifestação passou à porta do hospital Pasteur, onde Geneviève continua internada, e pela sede da polícia, onde exigiram a prisão do comissário responsável pela operação da semana passada.

Esta semana, houve menos confrontos entre manifestantes e polícia, com os mais graves a ocorrerem em Bordéus, Saint-Etienne e Montpellier. Para Eric Drouet - um dos promotores dos primeiros protestos, quando no topo da agenda estava a luta contra os aumentos dos combustíveis - “são eles [o governo] que andavam à procura da violência. São eles que põem em prática o serviço de ordem, então, se há violência é porque o serviço de ordem não era bom”, afirmou o camionista de 34 anos ao Parisien.

Em várias cidades, os coletes amarelos tiveram a companhia de outras mobilizações marcadas para este sábado, como manifestações de professores contra a anunciada reforma da educação ou de associações pelo direito à habitação.