Está aqui

Cláudio Torres vai receber Medalha de Mérito Cultural

O arqueólogo será distinguido com a Medalha de Mérito Cultural devido à sua vida dedicada à investigação histórica e ao património cultural. O Campo Arqueológico de Mértola é também referido como fator de desenvolvimento sustentável.

Segundo o que foi anunciado esta quinta-feira em comunicado, o governo decidiu atribuir a Medalha de Mérito Cultural a Cláudio Torres.

A nota justifica este galardão em “reconhecimento do inestimável trabalho de uma vida dedicada ao estudo e à investigação histórica e às causas do património cultural e da arqueologia peninsular, tendo ajudado a preservar e a compreender, com a sua obra, uma parcela fundamental da nossa memória colectiva”. E anuncia que a entrega da medalha será feita por Graça Fonseca em Mértola, vila a que Cláudio Torres dedicou parte significativa da sua vida, no seu 81º aniversário.

Natural de Tondela, onde nasceu a 11 de janeiro de 1939, viveu exilado em países como Marrocos e Roménia devido à ditadura salazarista. Se no Porto se começa por dedicar às Belas-Artes mas tem de interromper o percurso académico que devido à repressão e ao seu envolvimento militante, é em Bucareste que inicia o percurso que o leva a licenciar-se História e Teoria da Arte. Depois, em Lisboa, regressado aquando da queda do regime fascista, tornar-se-á professor no Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde foca a atenção na História Medieval. O passo da história medieval lecionada para a arqueologia medieval vivida é dado em Mértola, onde se fixa na etapa da sua vida pela qual é mais reconhecido.

É em 1978 que António Serrão Martins convida Cláudio Torres para iniciar o projeto que iria dar lugar ao Campo Arqueológico de Mértola. Em 1986 muda-se definitivamente para se centrar exclusivamente no CAM que ainda hoje é uma marca da vila alentejana e um projeto reconhecido nacional e internacionalmente.

Esse trabalho merece agora a distinção oficial. “O trabalho pioneiro de Cláudio Torres, já em democracia, contribuiu decisivamente para a mudança da historiografia portuguesa no que diz respeito ao papel do legado islâmico em Portugal e, por essa via, para um maior e mais justo conhecimento da nossa história”, diz o comunicado do Ministério da Cultura. A que acresce a sua relevância como “ factor de desenvolvimento sustentável e como alavanca para a coesão do território”.

O que agora diz o governo é o mesmo que há muito tem sido reconhecido. Cláudio Torres “abriu uma nova perspectiva sobre a centralidade do património islâmico em Portugal, que nunca tinha sido possível antes dos seus estudos”. Esse trabalho tem também valor “para a manutenção da paz e para a diplomacia cultural portuguesa com os países que partilham a história e a cultura islâmicas”.

Não é a primeira distinção do Estado português que o arqueólogo recebe. Já tinha, desde 1993, a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique. Venceu também o Prémio Pessoa em 1991, tem um doutoramento honoris causa pela Universidade de Évora atribuído em 2001 e o Papa Francisco concedeu ao Campo Arqueológico de Mértola o Prémio das Academias Pontifícias do Vaticano em 2015.

Termos relacionados Cultura
(...)