Cidadãos terão de percorrer 100 km para serem atendidos nos serviços de Finanças

07 de outubro 2013 - 23:49

O encerramento de 154 serviços de Finanças traduzir-se-á numa “subdesclassificação” das populações, segundo avança o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, citado pelo Diário de Notícias. Em distritos do interior, como Beja ou Évora, os cidadãos terão, por vezes, “de percorrer 100 quilómetros para serem atendidos”.

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Foto de Paulete Matos.

Numa infografia publicada esta segunda feira, o Diário de Notícias replica a estimativa relativa à reorganização dos serviços de Finanças avançada pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), que cruzou os mapas de pessoal dos serviços de Finanças com as necessidades identificadas e publicadas no despacho do diretor geral da Autoridade Tributária, datado de 6 de setembro.

Segundo esta estrutura sindical, o encerramento de 154 serviços irá atingir predominantemente as regiões do interior, com maior incidência em Beja, que perderá 85,71% dos serviços, Vila Real e Évora (78,57%), Bragança (75%) e Portalegre (73,33%).

No que respeita aos impactos desta restruturação para os trabalhadores, o presidente do STI, Paulo Ralha, adianta que não deverão existir “situações de trabalhadores colocados em mobilidade especial, até porque a Autoridade Tributária tem falta de pessoal”. “Não é à toa que está em curso um concurso para a admissão de mil inspetores”, avançou o dirigente sindical, sublinhando que, no entanto, “haverá mobilidade territorial, que causará transtornos, com funcionários a terem de fazer 20, 30, 40 e 50 quilómetros para irem trabalhar”.

“Para as populações os transtornos serão ainda maiores”, adiantou Paulo Ralha, alertando que “haverá distritos do interior, como Beja ou Évora, em que terão de percorrer às vezes 100 quilómetros para serem atendidos”.

O representante do STI fala, inclusive, numa “subdesclassificação” das populações. “Vamos ter portugueses de primeira, que pagam os seus impostos e têm direito a usufruir de escolas e de serviços públicos e de Saúde e de Justiça e os de segunda, que pagam na mesma, mas não têm direito a nada disso”, frisou.

O Bloco de Esquerda já questionou o governo relativamente ao “encerramento de centenas de repartições de finanças pelo país inteiro” que representa um “retrocesso na prestação de um serviço público” e “irá acrescentar crise à crise”.