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Chuvas provocam dezenas de desalojados na região de Lisboa

A precipitação forte da noite de quarta e madrugada de quinta-feira atingiu 63% dos valores previstos para todo o mês de dezembro. Dezenas de pessoas foram resgatadas e uma pessoa morreu em Algés. Alerta mantém-se para noite de quinta-feira.
Na manhã de quinta-feira, os bombeiros continuam a tentar retirar a água que inundou o acesso à estação da CP de Algés. Foto Manuel de Almeida/Lusa

A noite de quarta para quinta-feira foi de forte chuva e vento, em particular nos distritos de Lisboa e Setúbal, provocando inundações de ruas e edifícios. Segundo a agência Lusa, a Proteção Civil registou quase duas mil ocorrências em todo o território, com 913 no distrito de Lisboa. Para além dos avultados danos materiais, o mau tempo causou a morte de uma mulher com 55 anos numa cave inundada em Algés. O balanço da Proteção Civil registava 27 pessoas desalojadas - nove em Odivelas, seis na Amadora e 12 em Loures – que estão instaladas em zonas de apoio à população.

Ao início da tarde, a Câmara de Loures contava 25 pessoas desalojadas e anunciou que irá pedir ao Governo que declare estado de calamidade no município. Na Amadora, um deslizamento de terras a cerca de 200 metros das habitações no bairro do Casal de São Vicente obrigou à retirada de cerca de cem pessoas por precaução. Após a avaliação das equipas municipais, as pessoas puderam regressar de manhã ás suas casas.

A secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, deixou na manhã de quinta-feira o apelo para que "as pessoas se mantenham o mais possível em casa, restringindo movimentações na rua àquelas que são as deslocações absolutamente necessárias, e que se possam resguardar e que se possam também auto proteger”, dado que está prevista a continuação das fortes chuvas na noite de quinta para sexta-feira.

Segundo o IPMA, em Lisboa a precipitação atingiu os 80 milímetros cúbicos, ou seja quase dois terços dos 126 milímetros de valor médio da precipitação prevista para todo o mês de dezembro. Se a chuva no inverno "não tem nada de extraordinário", o que foi de facto extraordinário são “os valores que ocorreram em alguns locais, bastante elevados e que atingiram valores para avisos laranjas e pontualmente avisos vermelhos em alguns locais, numa hora e em seis horas”, afirmou a meteorologista Patrícia Gomes. Ainda assim, Lisboa esteve longe dos 118 milímetros de chuva registados em 24 horas a 18 de fevereiro de 2008. Mas a coincidência da precipitação forte com a maré cheia transformou a baixa da cidade e zonas como Alcântara em autênticos rios.

Na manhã de quinta-feira, várias estradas ainda tinham acesso condicionado, nalguns túneis rodoviários os bombeiros tentavam bombear a água que alagou o interior e muitos comerciantes em todo o distrito começavam a fazer as contas aos estragos provocados pelas inundações em caves e pisos térreos, enquanto centenas de pessoas tentavam descobrir o paradeiro dos seus automóveis arrastados pela intempérie.

Na Póvoa de Santo Adrião, concelho de Odivelas, a esquadra de trânsito ficou inoperacional e passou a funcionar nas instalações da Junta de Freguesia. No Hospital de São Francisco Xavier, dois pisos inferiores ficaram inundados e os elevadores ficaram inoperacionais, com alguns doentes a serem trabnferidos para o bloco operatório de outro edifício do hospital.

Os 18 distritos do continente mantêm-se esta quinta-feira em alerta amarelo. "O quadro meteorológico é um quadro intermitente, é um quadro que se vai agravar ao longo do dia, nomeadamente na madrugada de hoje para amanhã e aqui é expectável de facto que possa haver outras situações, eventualmente de menor dimensão, mas temos de estar atentos", disse o comandante Nacional de Emergência e Protecção Civil, André Fernandes, em conferência de imprensa.

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