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Chomsky e mais de 70 intelectuais repudiam interferência dos EUA na Venezuela

Numa carta aberta, o grupo de intelectuais, historiadores e especialistas em política latino-americana acusam os Estados Unidos de acelerar a crise no país e defendem que a única solução para a Venezuela "é um acordo negociado”.

"O Governo dos Estados Unidos deve parar de interferir na política interna da Venezuela, especialmente com o objetivo de derrubar o governo do país. É quase certo que as ações da administração Trump e dos seus aliados no Hemisfério piorem a situação na Venezuela, levando ao sofrimento humano desnecessário, à violência e à instabilidade”, escrevem.

O grupo de mais de 70 intelectuais defende que a intensificação da polarização política na Venezuela “deve-se em parte ao apoio dos EUA a uma estratégia de oposição destinada a remover o governo de Nicolás Maduro através de meios extra-eleitorais”.

“Embora a oposição esteja dividida quanto a essa estratégia, o governo dos EUA apoiou os setores da oposição para derrubar o governo de Maduro através de protestos violentos, um golpe de Estado militar ou outros caminhos que contornam as urnas”, avançam.

No documento, defendem que os “problemas resultantes da política do governo venezuelano foram agravados pelas sanções económicas dos EUA, ilegais sob a Organização dos Estados Americanos e as Nações Unidas - assim como a legislação dos EUA e outros tratados e convenções internacionais”.

“Essas sanções eliminaram os meios pelos quais o governo venezuelano poderia escapar da sua recessão económica, causando um dramático declínio na produção de petróleo e agravando a crise económica, e fazendo com que muitas pessoas morram por não terem acesso a medicamentos. Enquanto isso, os EUA e outros governos continuam a culpar o governo venezuelano - apenas - pelos prejuízos económicos, até mesmo aqueles causados ​​pelas sanções dos EUA”, acrescentam.

Os signatários frisam, “agora, os EUA e os seus aliados, incluindo o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, e o presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, empurraram a Venezuela para o precipício".

"Ao reconhecer o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como o novo presidente da Venezuela, algo ilegal sob a Carta da OEA, o governo de (Donald) Trump acelerou a crise política da Venezuela com a esperança de dividir os militares venezuelanos e polarizar ainda mais a população, obrigando-os a escolher lados. O objetivo óbvio, e por vezes declarado, é forçar Maduro a sair através de um golpe de Estado", ressaltam.

Os intelectuais exortam os EUA e os seus aliados a “parar de encorajar a violência, pressionando por mudanças violentas e extra legais no regime”, alertando que se os mesmos “continuarem o seu curso imprudente na Venezuela, o resultado mais provável será o derramamento de sangue, o caos e a instabilidade".

Destacando que “nenhum dos lados da Venezuela pode simplesmente vencer o outro”, defendem que “a única solução é um acordo negociado, como aconteceu no passado em países latino-americanos, quando as sociedades politicamente polarizadas não conseguiram resolver as suas diferenças através de eleições”.

“Para o bem do povo venezuelano, da região e do princípio da soberania nacional, esses atores internacionais deveriam apoiar as negociações entre o governo venezuelano e os seus opositores, que permitirão ao país finalmente sair da sua crise política e económica”, rematam.

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