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China lança novo guia de conduta moral para cidadãos

No código moral proposto pelo Partido Comunista Chinês há regras de etiqueta sobre como cantar o hino, apelos a ser “civilizado” em público e “defender a honra da China” quando se estiver no estrangeiros. O “pensamento de Xi Jinping” torna-se a bússola da conduta pretendida. Mao e Deng são omitidos.
Guarda assistindo à declaração final do 18º Congresso do Partido Comunista Chinês. Beijing, novembro de 2012.
Guarda assistindo à declaração final do 18º Congresso do Partido Comunista Chinês. Beijing, novembro de 2012. Foto de Remko Tanis/Flickr.

Chama-se “Esboço para a Implementação da Construção Moral dos Cidadãos na Nova Era”. É obra do Comité Central do Partido Comunista Chinês. Foi lançado este domingo. E tem como ambição estabelecer um novo padrão de conduta para os cidadãos do país mais populoso do mundo.

A versão anterior deste documento datava de 2001. Dela constavam várias referências aos dois líderes históricos anteriores, Mao Zedong e Deng Xiaoping, cuja linha de pensamento se tornou, a seu tempo, oficial. A nova versão apaga estas referências em nome da celebração única do “pensamento de Xi Jinping”.

Ao mesmo tempo documento político, código moral e de “etiqueta nacional”, segundo o jornal The Guardian este “esboço” contém apelos à honestidade e ao mesmo à civilidade em situações sociais como refeições em público, viagens ou assistir a competições públicas. Para além de regras sobre como cantar o hino e alçar a bandeira. O objetivo declarado é “engrandecer a atitude do povo para com o partido e o país e organizar um sentimento coletivo de identidade e pertença”.

Quem viajar ao estrangeiro é suposto “defender a honra da China”. O patriotismo é, aliás, o valor chave de um escrito que alguns analistas consideram reforçar o teor confucionista da moral propalada pelo regime.

Em entrevista ao site oficial do governo, traduzida em inglês pelo portal China News, Huang Kunming, chefe do Departamento de Propaganda do Comité Central do Partido Comunista Chinês, um elemento muito próximo de Xi, adianta que o órgão dirigente do partido “atribui grande importância à construção moral dos cidadãos”, pretendendo “modelar a sua alma” e “clarificar as suas raízes”.

Longe do discurso anti-tradição dos tempos da revolução cultural, Huang afirma que o “socialismo de características chinesas” é “herdeiro da excelente cultura tradicional chinesa” apelando ao respeito pelos “modelos”. Ao mesmo tempo, reclama-se que este guia tem a capacidade de “analisar cientificamente os novos requisitos da construção moral dos cidadãos na nova era”.

O chefe da propaganda chinesa adianta ainda que são precisos mais do que apelos educativos. A “construção moral” depende também da “governança efetiva”, da sua capacidade de lidar com “sintomas e causas através da economia, lei, tecnologia, gestão social e administrativa”. É preciso igualmente “punir a imoralidade”, nomeadamente “punir severamente” as “más palavras e feios” e o “denegrir heróis e sentimentos nacionais” o que terá um “papel educacional e de aviso” de modo a formar “a atmosfera social propensa a apoiar o bem e afastar o mal”.

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