O anúncio do acordo foi feito pelo vereador do Chega, Bruno Mascarenhas, ao Observador: no Orçamento municipal aprovado esta semana com os votos da coligação de Carlos Moedas e o partido de extrema-direita está uma proposta de apoio financeiro municipal para as famílias que não conseguiram acesso a vagas nas creches públicas, no âmbito do programa Creche Feliz. Mas o que está “subentendido” na proposta, diz Mascarenhas, “é um apoio financeiro às famílias para crianças portuguesas que não obtiveram vaga no Creche Feliz”. Ou seja, uma das bandeiras da extrema-direita na campanha para as autárquicas.
Questionado pelo Observador, o gabinete da presidência da Câmara não nega este compromisso de discriminar as crianças com esta medida, mas diz que as condições e montantes deste apoio “serão analisadas em devido tempo” e “não colocando em causa qualquer cumprimento das leis em vigor”.
Neste primeiro mês de mandato, Carlos Moedas tem governado com o apoio do Chega nas principais medidas para as quais precisou de maioria no executivo municipal. Foi assim no Orçamento, como já tinha sido na decisão de duplicar os limites para as licenças de alojamento local em relação à proposta de regulamento do AL apresentado antes das eleições. Ou ainda na aprovação do regimento das reuniões que limitaram a capacidade de intervenção da oposição e reforçaram os poderes de Moedas para decidir sobre mais matérias sem consulta ao restante executivo.
Em troca, o Chega tem sido recompensado com cargos bem remunerados em administrações municipais, como a dos Serviços Sociais da Câmara, para a qual Moedas nomeou uma influencer do partido da extrema-direita que o Correio da Manhã diz ser próxima de Bruno Mascarenhas, tendo sido candidata nas listas do partido a uma junta de freguesia lisboeta.