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Chefe de gabinete da Câmara do Porto comporta-se como “hooligan”

O Bloco de Esquerda do Porto critica a forma como Nuno Santos, chefe de gabinete da Câmara Municipal do Porto, reagiu às questões enviadas sobre o Teatro Municipal da cidade, recentemente acusado de censura.
Chefe de gabinete da Câmara do Porto comporta-se como “hooligan”
Fotografia de Teatro Municipal do Porto.

O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda enviou a Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, um conjunto de dez questões sobre a relação existente entre o Teatro Municipal e a autarquia, procurando saber se houve interferência na autonomia da sua criação artística.

Estas perguntas foram enviadas na sequência da acusação da dramaturga Regina Guimarães que acusou a direção do Teatro Municipal do Porto de censurar um texto da sua autoria, escrito para integrar a folha de sala do espetáculo “Turismo”.

Porém, a resposta que o Grupo Municipal do Bloco de Esquerda recebeu do chefe de gabinete de presidente da Câmara do Porto deu origem a um comunicado, no qual o partido faz saber que aquilo que recebeu “"é um retrato da displicência, da arrogância e da falta de sentido institucional com que o grupo político de Rui Moreira lida com quem não repete as suas opiniões".

O partido considera que Nuno Santos "é chefe de gabinete, exerce funções públicas e convinha, portanto, que não se comportasse nesse papel como um 'hooligan' de uma claque".

O Bloco do Porto faz saber em comunicado que não é "conivente" com "a atitude de fazer de conta que este é um debate apenas sobre o episódio da folha de sala", defendendo que o que está em causa "é mais vasto".

"É mais vasto e não vale a pena varrer para debaixo do tapete, por exemplo, o relato da atriz Sara Barros Leitão sobre a interferência da direção artística e executiva do teatro num projeto que os próprios tinham encomendado e que revela um 'modus operandi' inaceitável", sublinha o partido.

O Bloco considera que Rui Moreira e responsável pelo pelouro da Cultura gastaram "muito tempo com formalismos para não responder ao essencial", pelo que remetem novo requerimento com as questões que querem ver esclarecidas.

"Finalmente, e depreendemos que provavelmente obscurecido pelo tom com que escreve, ou talvez fruto de uma sobreposição de questões tecnicistas e de detalhe, o Senhor Chefe de Gabinete, Dr. Nuno Nogueira Santos, acabou por não responder ao requerimento, o que é agravado pelo facto de remeter para o portal da câmara ou para a possibilidade deste grupo político da assembleia municipal assistir às reuniões do executivo, mediante autorização para tal, para ver as suas questões esclarecidas", lê-se no documento.

Nas questões enviadas ao executivo, o Bloco de Esquerda quis saber se é prática comum o chefe de Gabinete da presidência da câmara assistir aos ensaios das peças, tal como ocorreu com “Turismo”. Procuraram também saber por que motivo foi convocado um Conselho Municipal da Cultura para 21 de fevereiro sem que este tema conste na ordem de trabalhos.

Na resposta do chefe de gabinete de Rui Moreira, é indicado que as questões colocadas "estão constituídas a partir de pressuposto falsos, fazendo referências que não podem ser respondidas, como é o caso da que terá havido membros do executivo a assistir a um ensaio de imprensa da peça 'Turismo'".

"Não houve, que saiba a presidência e que seja do conhecimento de qualquer dos vereadores com pelouro. Desconhecemos - e não nos importa - se alguém da oposição assistiu. Cremos que não. Onde foi, então, o BE buscar tal informação? E, já agora, questiona-se: e se um membro do executivo assistisse, como assistiu o senhor presidente, a convite da presidente da OPART, a um ensaio de imprensa da Companhia Nacional de Bailado, no Rivoli? É o BE que estabelece quem pode ou não assistir a um ensaio no Teatro Municipal do Porto", assinou Nuno Santos.

Nuno Santos afirma que o presidente da Câmara Municipal do Porto não se inibiu, na reunião do executivo, de "dar os esclarecimentos que entendeu, onde entendeu e quando entendeu", acrescentado que o BE, que não tem assento no executivo municipal, querendo pode assistir na bancada do público a tais reuniões". A resposta termina com o encaminhamento das restantes perguntas para a estrutura orgânica do Município, aprovada em Assembleia Municipal, "sendo a independência do diretor artístico do Teatro Municipal garantida, por muito que possa custar ao Bloco de Esquerda, pelo facto de ter sido escolhido por concursos público".

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