“Venda de 6,11% da PT a preço de saldo retira capacidade de ação do Estado num setor estratégico”

24 de outubro 2013 - 18:36

A venda dos 6,11% que a Caixa Geral de Depósitos detinha na Portugal Telecom (PT) ocorre no momento em está a ser negociada a fusão entre a PT e a brasileira Oi. Bloco critica a “escolha de uma venda [por parte da CGD] a preço de saldo, que retira capacidade de ação do Estado num setor estratégico”. Última atualização às 20h25.

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Foto Wikipedia.

Num comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) esclarece que a venda dos 6,11% que detinha na Portugal Telecom (PT) faz parte da “estratégia que [a CGD] publicamente anunciara em 2011 e [que foi] reafirmada desde então, de se focar no seu negócio e de alienar todas as participações que detinha em empresas não financeiras”.

A CGD acrescentou ainda, numa nota enviada posteriormente aos órgãos de comunicação social, que “a saída da CGD da Portugal Telecom acontece só após o anúncio público da sua fusão com a OI”, que “criará um grande operador de telecomunicações de língua portuguesa, continuando assim o seu caminho de criação de valor".

“Com esta alienação, a CGD dá mais um passo no sentido de, igualmente, cumprir as obrigações que decorrem do Memorando de Entendimento celebrado entre o Estado Português e a Troika, bem como das exigências do seu Plano de Reestruturação”, adiantou uma fonte oficial citada pelo Jornal de Negócios.

Após ter vendido a golden share na PT, que atribuía direitos especiais ao Estado português, permitindo-lhe, por exemplo, ter algum poder de decisão sobre o processo de fusão, bem como de ter, inclusive, apoiado a privatização da empresa, o governo português vem agora ditar o afastamento definitivo dos capitais públicos da estrutura acionista da PT.

No início da tarde a CGD concluiu a venda das 54.771.741 ações, encaixando com a operação 190,6 milhões de euros. A venda foi feita a 3,48 euros, um preço 2,87% abaixo da cotação de fecho de ontem, conforme avança o jornal Expresso.

Administração da PT surpresa com decisão da CGD

A CGD não comunicou previamente a sua intenção de alienar os 6,11% que detinha à administração e ao núcleo duro acionista da PT, que se revelaram surpresos com a decisão. Henrique Granadeiro, CEO da PT, afirmou, em declarações ao Jornal de Negócios, que se entristece ao “ver alguns indivíduos e instituições a desistir de Portugal".

Venda “retira capacidade de ação do Estado num setor estratégico”

Num conjunto de perguntas endereçadas ao Ministério das Finanças, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, critica a “escolha de uma venda a preço de saldo, que retira capacidade de ação do Estado num setor estratégico como é o das telecomunicações e priva a CGD de uma importante remuneração anual”.

Segundo o dirigente bloquista, “este negócio irá prejudicar o interesse público e é um grande favor aos privados que participaram na compra”.



 

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