Índia

Centenas de milhares de mulheres nas ruas depois de violação e assassinato de médica

15 de agosto 2024 - 16:35

Médicos de muitos hospitais estão em greve e à luz de velas multidões em vários pontos do país reclamam que a noite também é das mulheres.

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Manifestações em Calcutá pelos direitos das mulheres.
Manifestações em Calcutá pelos direitos das mulheres. Foto de PIYAL ADHIKARY/EPA/Lusa.

Em várias cidades da Índia, centenas de milhares de mulheres desfilaram com velas na noite desta quarta-feira em protesto contra a violação e assassinato de uma jovem médica estagiária dentro de uma faculdade de Medicina em Calcutá, o R G Kar Medical College.

Segundo a Reuters, a mulher, com 31 anos, foi atacada na passada sexta-feira depois de um turno de 36 horas. Sem dormitórios ou salas de descanso no local, retirou-se para descansar numa parte da sala de seminários que tinha uma alcatifa. Foi aí que o crime ocorreu. Um voluntário da polícia foi já preso.

O caso desencadeou imediatamente protestos que começaram com os médicos mais jovens e alastraram para greves em vários hospitais. Para além do crime, os médicos protestam contra as condições de trabalho miseráveis, o excesso de trabalho e os baixos salários. As más condições dos hospitais fazem com que sejam frequentemente alvos da ira de utentes.

Dhruv Chauhan, da Rede de Médicos Juniores da Associação Médica Indiana, declarou à agência de notícias Press Trust of India que “os médicos de todo o país estão a questionar o que há de tão difícil na promulgação de uma lei para a nossa segurança”, garantindo que “a greve vai manter-se até que todas as reivindicações sejam formalmente atendidas.”

Já o protesto desta noite tinha como mote “Reclaim the Night” e exigia mais segurança para as mulheres, particularmente durante a noite. Ao jornal de Calcutá Telegraph, Shalini Datta, uma das manifestantes, sintetizou o espírito da ação: “todas as noites, as mulheres deveriam ter a liberdade e a escolha de sair, para que no futuro os pais de nenhuma menina tenham de pensar, no caso de a noite se tornar tarde, se a criança regressará a casa em segurança ou não”. Ao mesmo órgão de comunicação social, Tanushree Das, que participou no desfile com a sua filha, acrescentou: “acho que as noites não são apenas para os homens desfrutarem, as mulheres têm direitos iguais. Saímos à rua para reclamar estes espaço para nós próprias para que as mulheres deixem de ter um sentimento de medo associado às noites”.

Simbolicamente, as marchas saíram às ruas à meia-noite daquele que é o Dia da Independência da Índia.

Estas são as maiores mobilizações contra a violência de género depois do caso de 2021 quando uma estudante de fisioterapia foi violada e morta num autocarro por um grupo de homens.