Centenas de milhares de argentinos lembram vítimas da ditadura

26 de março 2019 - 11:18

No domingo passado, largas centenas de milhares de argentinos saíram às ruas em manifestações para não deixar cair no esquecimento as vítimas do golpe militar ocorrido há 43 anos. Também gritaram “fora Macri”, acusando o chefe de governo atual de perseguição política e de criar “miséria planificada”.

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Foto de @emergentemedio/Twitter

“São 30 mil”. O número estava presente um pouco por todo o lado nas manifestações do último domingo na Argentina. Em nome da “memória” e da “unidade” e contra o esquecimento, pretendia-se assinalar o 43º aniversário do golpe militar que levou uma brutal junta militar, liderada por Jorge Videla, ao poder. 30 mil é o número estimado das vítimas que deixou para trás.

Em Buenos Aires, as avós, as mães e filhos da Praça de Maio, que continuam a protestar pelo “desaparecimento” dos seus familiares assassinados pelos militares golpistas, não deixaram esquecer, para além do número, as caras, os nomes e os afetos destas pessoas. Uma faixa gigantesca tinha impressas muitas dessas caras a preto e branco. E Estela Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio, lembrou que “continuam a faltar cerca de 300 homens e mulheres que estão entre nós: são trabalhadores, pais, mães, colegas de fábrica, de trabalho, vizinhos, professores dos nossos filhos e filhas (…), estão entre nós, como suas famílias, que os procuramos desde há quatro décadas.” A ativista condenou “os discursos que impulsionam o esquecimento e justificam os delitos contra a humanidade”.

Mas não foi uma manifestação só voltada para passado. Ouvia-se gritar “fora Macri” e, na convocatória assinada por várias organizações de defesa dos direitos humanos, podia ler-se: “manifestamo-nos contra a subjugação quer o governo de Mauricio Macri gera todos os dias: despedimentos massivos, miséria planificada, entrega do país aos abutres, perseguição dos povos originários, perseguição a militantes, as presas e presos políticos, a grave ingerência do governo sobre o poder judicial, retrocessos na Memória, Verdade e Justiça, violência institucional, repressão do protesto social, censura à imprensa, negacionismo.”

Os manifestantes acusaram o governo de “encarceramento arbitrário e ilegal de dirigentes políticos, de grémios e dirigentes sociais”, de “uso indiscriminado da prisão preventiva” utilizada para “deter opositores”, criminalizando quem “questiona as políticas de fome e saque que o governo de Mauricio Macri implementa”.

Dizem que “quando um governo transforma o cárcere num espaço central da política, a democracia está em perigo.”