"O Presidente da República, ao sustentar o Governo, torna-se também responsável pela situação dramática em que vivem muitos portugueses", disse João Semedo, referindo que o Executivo PSD/CDS-PP "só sobrevive" porque Cavaco Silva "não o demite como devia fazer".
Segundo João Semedo, "a intervenção do Presidente da República não ajuda o país a sair da crise, pelo contrário, acentua a continuação deste Governo, é um malefício para o país, para sairmos da crise, melhorar a nossa economia, para ter políticas de emprego, políticas sociais, que ajudem milhões de portugueses, que, neste momento, vivem muitas dificuldades".
"Temos um Governo que se está a esfrangalhar. Não fosse o apoio do Presidente da República, já não teríamos Governo", disse João Semedo, referindo que o Executivo PSD/CDS-PP "está em declínio, na sua agonia, na sua fase final e, portanto, o apoio do Presidente da República é, digamos, o apoio do único português que ainda sustenta este Governo".
Questionado pelos jornalistas, durante uma visita à Ovibeja, sobre as alegadas divisões no Conselho de Ministros de sexta-feira, o coordenador bloquista disse que o Governo "está em desagregação".
"Os ministros não se entendem uns com os outros. O PSD não se entende com o CDS-PP e o CDS-PP não se entende com o PSD. Se não fosse o apoio do Presidente da República, já não teríamos Governo e isso seria bom para o país", insistiu.
João Semedo disse que o Bloco de Esquerda vai responder "afirmativamente" à carta enviada pelo novo ministro-adjunto, Miguel Poiares Maduro, e comparecer na reunião pedida, embora não tenha "nenhuma expectativa", porque o Executivo PSD/CDS-PP "não é um Governo de diálogo".
"É um Governo autoritário, que impõe uma política contra os interesses dos portugueses e do país, mas isto não impede que nós não estejamos na reunião para dizer exatamente o que nós criticamos na política deste Governo e quais são as nossas propostas. É isso que iremos fazer", disse.
João Semedo considerou "positivas as decisões do congresso do PS que vão no sentido" de um consenso "contra a austeridade", mas avisou os socialistas de que "não basta esse consenso contra a austeridade"
"É preciso também distância relativamente à troika e ao memorando". Sem essa distância não há solução para o país", defendeu, referindo que, "em Portugal, é necessário construir um consenso contra a austeridade, o memorando e a troika. É esse o consenso que pode tirar o país da crise".