A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins acusou o ministro das Finanças de fechar os olhos aos contratos 'swap' celebrados por empresas públicas, que ele conhecia há dois anos e nada fez para resolver o problema.
"Em junho de 2011, um dossier que falava dos problemas dos 'swaps' foi entregue no Ministério das Finanças, o que quer dizer que nestes dois anos de Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque [secretária de Estado do Tesouro] já conheciam precisamente o problema dos 'swaps'”, disse a dirigente bloquista numa sessão pública promovida pela candidatura de Nelson Peralta à Câmara de Aveiro.
Vítor Gaspar é culpado pela perda de 1.700 milhões
Para a deputada, quando o ministro das Finanças teve conhecimento desta situação, o problema dos contratos 'swap' ia em 1.400 milhões de euros. “Passados dois anos, o problema já vai em 3 mil milhões de euros”, disse, afirmando que Vítor Gaspar "é culpado por estes 1.700 milhões que se perderam enquanto ele estava com o 'dossier' na gaveta".
Catarina Martins observou que Vítor Gaspar é “tão rápido a cortar nos salários e nas pensões e tão lento a olhar para o dossier que lhe diz que está a perder 3 mil milhões de euros com os contratos ruinosos feitos pelas empresas”.
Para a coordenadora do Bloco, é "completamente incompreensível e inaceitável" o facto de as administrações de empresas públicas terem assinado contratos de especulação financeira com a banca: “Andaram a jogar no casino financeiro com aquilo que é de todos e com isso a degradarem o património que é de todos”, sublinhou.
Bancos que venderam os contratos especulativos
Recorde-se que entre os bancos que venderam contratos especulativos às empresas públicas de transportes estão alguns dos mais conhecidos especuladores financeiros globais, como o Merril Lynch, JP Morgan, Goldman Sachs, Credit Suisse, Deutsche Bank, Santander, Barclays, ABN Amro ou o BNP Paribas.
O caso dos 'swaps' ruinosos já levou à queda de dois secretários de Estado, da Defesa e da Administração Interna: Braga Lino e Juvenal Peneda, respetivamente, por terem envolvimento na gestão da Metro do Porto no período em que foram celebradas os contratos de 'swap' que se revelaram ruinosos.