João Semedo, coordenador do Bloco de Esquerda, definiu o discurso de Cavaco Silva na sessão de comemoração do 39º aniversário do 25 de Abril como "um discurso de sustentação da maioria política e ideológica que o elegeu, um discurso próprio de um tempo em que há uma maioria de direita, um governo de direita e um presidente de direita".
Para o deputado, o discurso foi inacreditável, “um discurso de fação que ofende os princípios da pluralidade e da democracia do 25 de Abril", sublinhando que o chefe de Estado "reconheceu o insucesso da política de austeridade e apelou a mais austeridade e sobretudo à resignação dos portugueses perante essa austeridade".
“Até os cravos que estavam em frente do Presidente da República caíram, tal foi o choque com as palavras do Presidente", ironizou, acrescentando que "o Presidente da República é hoje o fio que agarra o governo. Este é, como já alguém já disse, um governo de iniciativa presidencial", e concluiu: "É grave que um Presidente da democracia, considere que a democracia, que as eleições, não são a solução para as crises políticas".
Discurso de primeiro-ministro adjunto
O tom de crítica frontal foi usado também por Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, que considerou que o discurso de Cavaco Silva parecia o de um "primeiro-ministro adjunto", que não reconhece que o povo é quem mais ordena, precisamente no dia 25 de Abril. Jerónimo de Sousa classificou a ideia de que "de nada valerá ganhar ou perder eleições", apresentada pelo chefe de Estado, como uma "demonstração de que o Presidente da República é tão responsável como o governo pela situação que vivemos".
Também o líder parlamentar do PS acusou o presidente da República de fazer um discurso "claramente partidário", considerando que "apadrinhou" a política de austeridade do governo e em nada contribuiu para o consenso nacional.
Do lado da direita, não faltaram os elogios: “um discurso objetivo, sereno e que foi a meu ver também corajoso no sentido de realçar a capacidade do país – independentemente do posicionamento político dos cidadãos e mesmo dos agentes políticos – para ultrapassar a grave situação em que nos encontramos", disse Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD.