A candidata presidencial Catarina Martins assinalou esta sexta-feira o Dia Mundial da Diabetes com uma visita à Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal. E para mudar os termos do debate sobre a Saúde em Portugal, afastando-se da “absolutamente vazia” expressão de um ‘pacto para a saúde’, deu o exemplo do trabalho da APDP, “que é interdisciplinar, de várias profissões de saúde, centrado no utente e que também têm trabalho na comunidade”.
“Se nós continuarmos a discutir o acesso à saúde nos mesmos modos em que os temos discutido, não vamos resolver o problema”, disse Catarina, criticando um debate que está “sempre e só centrado em médicos e hospitais, que são muito necessários, que devem ser reformulados, que devem ser muito bem tratados, mas se não somos capazes de deixar de ter uma leitura só hospitalocêntrica, não vamos resolver o problema”.
A proposta que traz ao debate é dar centralidade a mais profissões que não a dos médicos. A começar pelos enfermeiros, que “têm uma enorme especialização” e muitos “escolhem emigrar porque não se sentem valorizados em Portugal”. Para a candidata, “eles podiam ser a chave para desbloquear o acesso à saúde e também a sua capacidade de pensar projetos” para uma comunidade que hoje é muito diferente do que quando o SNS foi criado.
“Cuidados na comunidade podem prevenir a doença, ter a doença crónica controlada e ser uma forma de entrada de cuidados mais especializados sempre que as pessoas precisem” e adaptados ao território, pois “Um território rural, com pessoas idosas, isoladas, será diferente de um território metropolitano, por exemplo, com várias línguas e em que se cruzam outras realidades”, prosseguiu Catarina.
“O desafio que eu deixo é que a ideia do Pacto da Saúde seja concreta” e passe por exemplo por dar aos enfermeiros e enfermeiras a “autonomia e carreiras entusiasmantes” para participarem na definição desses projetos para as comunidades que acompanham no terreno.
Pacote laboral: “O Governo tem que recuar porque já está derrotado"
Questionada pelos jornalistas sobre a posição dos restantes candidatos sobre a greve geral de 11 de dezembro, Catarina Martins disse que “o que é preciso é que o Governo recue”, pois está “absolutamente isolado a tentar impor uma lei laboral que é muito violenta sobre os trabalhadores, num país que já tem uma lei laboral violenta - em Portugal trabalhamos tantas horas por salários tão baixos”.
Quanto aos candidatos presidenciais que nos últimos dias têm andado “a pedir aos sindicatos, aos trabalhadores, que estão a lutar pelos seus direitos, para recuarem”, Catarina diz que isso “é um absurdo”, pois o que é preciso “é dizer que o Governo tem que recuar porque já está derrotado", defendeu, sublinhando que "os trabalhadores sociais-democratas votaram pela greve geral" na direção da UGT e que o atual Presidente "já disse ao Governo que tal como está esta lei é impossível".
"Eu bem sei que há candidatos presidenciais que acham que a sua função é defender os grandes interesses económicos e talvez o Governo do PSD e CDS-PP. Eu acho que a função de um candidato presidencial, e sobretudo de uma Presidente da República, é defender quem vive o seu trabalho em Portugal", concluiu a candidata.