Nesta quarta-feira, 25 de agosto, teve lugar em Santa Comba Dão um comício de verão do Bloco de Esquerda, com intervenções de Catarina Martins, Hermínio Marques (candidato à Câmara de Carregal do Sal), Ana Pardal (candidata à Assembleia Municipal de Mortágua) e João Andrade (candidato à Assembleia Municipal de Santa Comba Dão).
“Duas mentiras”
Na sua intervenção, Catarina Martins, começou por afirmar: “Há duas mentiras que têm vindo a ser repetidas no interior do país, há décadas”.
A primeira mentira apontada pela coordenadora bloquista é a da inevitabilidade do abandono do interior, de que “é mais ou menos inevitável que as pessoas se vão embora”.
“Esta ideia da inevitabilidade tem sido uma desculpa para se fecharem serviços públicos e para se alimentar um círculo vicioso, em que se impõe a inevitabilidade de as pessoas saírem, para terem acesso ao emprego, para terem acesso aos serviços públicos”, afirmou a dirigente bloquista, salientando que se trata de “uma mentira que rouba futuro e que rouba horizonte”.
A segunda mentira indicada por Catarina Martins é a de que “como há pouco, tem que se aceitar o que vem e aceita-se tudo”, o que tem interesse para o negócio. “O que nos resta é abrirmos as portas a qualquer negócio que nos diga que vem para aqui trazer uma solução”, sem importar “se o negócio não respeitar o ambiente ou a nossa saúde pública”.
“Abre-se uma mina, uma pedreira, fica-se com os problemas da saúde pública. A indústria extrativista enriqueceu, mas e a população, com o que é que ficou? Com o prejuízo ambiental”, denunciou a coordenadora bloquista. E sublinhou também: “Plantam-se eucaliptos. Seguramente, deu-se muito à celulose, mas o que ficou para a população que não os incêndios, cada vez mais descontrolados pelas alterações climáticas?”
“Esta é a segunda mentira, a de que a subserviência aos grandes interesses económicos é mais ou menos o fado do interior, porque mais vale dizer que sim a tudo a ver se vem para cá alguma coisa”, sintetizou Catarina Martins, sublinhando que “o que fica é sempre o dano ambiental, o dano na saúde e a riqueza vai sempre com os grandes interesses económicos”.
Mudar o paradigma
“O que nós propomos é mudar esse paradigma e não aceitarmos estas mentiras”, propôs a coordenadora do Bloco, apontando que “não é inevitável que toda a gente tenha de ir viver para o litoral” e que “sabemos como se vive tão mal em subúrbios sobrelotados na área metropolitana de Lisboa”. “Não tem de ser assim”, frisou.
“Desmontando essa mentira, o que nos propomos é fazer o inverso. Em vez de dizer que as pessoas têm de sair do interior, à procura do emprego ou do serviço público, abrir o serviço público e garantir o emprego onde as pessoas estão, onde as pessoas querem estar e onde nós precisamos que as pessoas estejam, para termos um país mais equilibrado”, afirmou Catarina Martins.
“O que nós propomos é precisamente que o clima esteja no centro das decisões, que o ambiente e a saúde pública estejam no centro das decisões, porque aí sim é possível um desenvolvimento económico que tem futuro e que permite que aqui se viva e se viva bem”, reafirmou a coordenadora bloquista.
A terminar, Catarina Martins sublinhou que para “acabar com as mentiras de décadas e pôr o clima, as pessoas e a dignidade à frente das decisões”, as “autarquias contam” e é necessário o Bloco de Esquerda ter força.
“No nosso próximo mandato há para investir cerca de 60.000 milhões de euros”, do quadro comunitário, do PRR e da PAC, e a pergunta a fazer é: “queremos mais rotundas ou queremos creches? Queeremos financiar mais negócio do eucalipto ou queremos uma PAC que faça o desenvolvimento rural, o povoamento e uma floresta mais resiliente?”, frisou ainda Catarina Martins.