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Catarina Martins quer travar injeções no Novo Banco e defende auditoria pública

Em entrevista ao Expresso, a coordenadora bloquista afirma que o partido está a negociar com o Governo saídas para a crise e destaca também as questões do reforço do SNS e as leis laborais, “nomeadamente o pacote contra os despedimentos, o combate à precariedade e a proteção social”.
Catarina Martins- foto de Fernando Veludo/Lusa
Catarina Martins- foto de Fernando Veludo/Lusa

Em entrevista ao semanário Expresso deste sábado, Catarina Martins, diz que o Bloco está a “negociar soluções para a crise”, negociação que tem no OE [orçamento do Estado] o “primeiro instrumento relevante”.

“Não é possível negociar soluções se no OE não houver acordo”, sublinha.

Novo Banco: “é preciso fazer escolhas claras”

Catarina Martins relembra que o Bloco se opôs sempre à solução para o Novo Banco, tanto à resolução como à entrada da Lone Star. “Já não é só uma divergência sobre o que devemos fazer à banca de uma forma geral: é haver indícios fortíssimos de que a gestão do Novo Banco está a lesar objetivamente o Estado português e que tem negócios preocupantes do ponto de vista do crime económico”, sublinha, referindo que “é preciso fazer escolhas claras”. “E uma escolha clara para nós é o caminho para a denúncia para o contrato com a Lone Star”, diz.

A coordenadora bloquista salienta que o Bloco não quer nova injeção no Novo Banco e aponta a necessidade de uma nova auditoria, “que não é a da Deloitte”.

“A proposta do Bloco de Esquerda é esta: não há nenhuma injeção no Novo Banco e faz-se uma auditoria com uma comissão pública com vista ao processo de denúncia do contrato com a Lone Star”, sintetiza.

O último OE foi negociado tendo em conta a Saúde”

A coordenadora do Bloco de Esquerda recorda também que “o último OE foi negociado tendo em conta a Saúde”. “Abstivémo-nos, viabilizando o orçamento por causa do acordo que tínhamos conseguido na Saúde”, frisa.

Desse acordo na saúde, algumas questões estão a ser implementadas, “como o fim gradual das taxas moderadoras” e há outras que não estão. Catarina Martins refere o caso do aumento do número de profissionais no SNS, 8400 em dois anos que não aconteceu, e também do: programa nacional de saúde mental, “que ainda não começou”, e do plano para internalizar os meios complementares de diagnóstico, “que também ainda não avançou”.

“Sabemos que as mudanças na saúde seriam mais difíceis de fazer”, salienta a coordenadora bloquista, considerando que “o SNS precisa de se transformar para responder a uma população envelhecida, para ir a áreas que nunca teve como a saúde mental”.

Se não mudarmos as leis do trabalho, temos até um problema de saúde pública”

A coordenadora bloquista destaca também a importância das leis laborais na solução para a crise. “As leis laborais, nomeadamente o pacote contra os despedimentos e o combate à precariedade e a proteção social, porque a crise não vai desaparecer de hoje para a amanhã”, refere.

“Quem está no desemprego verá acabar o seu subsídio de desemprego numa altura em que a economia ainda não está a recuperar porque a pandemia ainda cá está e depois não tem nenhum apoio. E porque tememos que haja uma vaga de despedimentos”, afirma.

A propósito das leis laborais na resposta à crise, Catarina Martins conta que um responsável de saúde pública lhe disse: “um dos maiores problemas em Portugal, para controlar os surtos, é que com a enorme chantagem das empresas sobre os trabalhadores, seja porque o vínculo é precário ou pela forma como são definidos os horários ou a mobilidade geográfica, as pessoas mesmo doentes vão trabalhar”. “Se não mudarmos as leis do trabalho, temos até um problema de saúde pública” realça.

A concluir, a coordenadora bloquista frisa que “o Bloco de Esquerda não vai votar nada que seja contra o seu mandato. Uma coisa é negociar, chegar a meio caminho, outra coisa é ficarmos a aprovar o que não tem sentido”.

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