Castro diz que Nato se prepara para invadir a Líbia

24 de fevereiro 2011 - 12:20

Ex-presidente de Cuba não menciona qualquer atrocidade de Kadafi, dizendo apenas que “é preciso esperar o tempo necessário para saber com rigor o que há de verdade e de mentira”. Mas denuncia "o crime que a Nato se prepara para cometer contra o povo líbio".

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Castro diz que vai ser preciso esperar o tempo necessário para saber com rigor o que há de verdade e de mentira no que se diz sobre a Líbia

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O ex-presidente de Cuba Fidel Castro, dedica a sua última reflexão, publicada em CubaDebate, à Líbia, sob o título “O plano da Nato é ocupar a Líbia”.

Sem mencionar uma única vez as atrocidades cometidas pelo coronel Kadafi contra o seu povo, denunciadas até pelos seus ex-ministros, incluindo o número 2 do regime, Castro diz que “é absolutamente evidente que o governo dos EUA não está nada preocupado com a paz na Líbia e não hesitará em dar à Nato a ordem para invadir este país rico, talvez dentro de horas ou de poucos dias.”

Recorde-se que Barack Obama só nesta quarta-feira falou sobre a Líbia e não pediu a renúncia de Kadafi.

“Poder-se-á estar ou não de acordo com Kadafi”, diz Castro. “O mundo foi invadido por todo o tipo de notícias, especialmente usando os média de massa. Vai ser preciso esperar o tempo necessário para saber com rigor o que há de verdade e de mentira, ou uma mistura de factos de todo o tipo que, no meio do caos, ocorreram na Líbia.”

O ex-presidente cubano lembra “aqueles que com pérfidas intenções inventaram a mentira de que Kadafi estava a caminho da Venezuela” e cita o Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, que fez votos que “o povo líbio encontre, no exercício da sua soberania, uma solução pacífica para as suas dificuldades, que preserve a integridade do povo e da nação líbia sem a interferência do imperialismo...”

Castro diz ainda não imaginar “o dirigente líbio a abandonar o país, fugindo das responsabilidades que lhe são imputados, sejam ou não falsas em parte ou na totalidade.”

Em conclusão, escreve Fidel Castro: “Uma pessoa honesta estará sempre contra qualquer injustiça que se cometa a qualquer povo do mundo, e a pior delas, neste momento, seria permanecer em silêncio diante do crime que a Nato se prepara para cometer contra o povo líbio.

Para a chefia desta organização belicista é urgente fazê-lo. É preciso denunciá-lo!”

PCP apela à “resolução pacífica dos conflitos internos na Líbia”

Já o Gabinete de imprensa do PCP divulgou uma nota em que “condena a repressão que se faz sentir em países como o Iémen, Bahrein, Argélia, Marrocos e Líbia”.

Na mesma nota, o PCP valoriza “as vitórias alcançadas pelos povos tunisino e egípcio com o afastamento dos ditadores”, mas não se refere nunca ao regime de Kadafi, palavra que, aliás, não é mencionada. A nota do PCP “Apela à resolução pacífica dos conflitos internos na Líbia, chama a atenção para os perigos que, no quadro de uma grave situação interna, pendem sobre a independência e integridade territorial deste País e alerta para as manobras protagonizadas pelos EUA, União Europeia e NATO que, demonstrativas da sua política de dois pesos e duas medidas, suscitam profunda inquietação quanto aos riscos de intervenção externa neste País.”