Castelo Branco: Desertificação e emprego são principais problemas do concelho

02 de agosto 2021 - 23:06

A candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Castelo Branco nas eleições autárquicas marcadas para 26 de setembro, Margarida Paredes, afirmou que a desertificação populacional e a criação de emprego são problemas fundamentais do concelho. Notícia publicada no Interior do Avesso

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Foto de Pedro Beato

“Acabámos de tomar conhecimento, através dos Censos 2021, que o concelho de Castelo Branco em 10 anos perdeu 3.837 pessoas. Os problemas da desertificação populacional e da criação de empregos estão entrelaçados e são dos maiores problemas do concelho”, afirmou Margarida Paredes, segundo artigo da agência Lusa, na apresentação da candidatura em Castelo Branco.

A candidata destacou que a crise social atual, com desigualdades agravadas pela pandemia, não pode ser ignorada, “o que obriga a autarquia a monitorizar e a responder aos fenómenos de pobreza”. Adiantando de seguida que o Bloco tem como prioridade aumentar os apoios sociais para quem mais precisa, de forma a mitigar as consequências da pandemia.

“Não há fixação de jovens no município [Castelo Branco] enquanto o trabalho for precário e não houver empregos bem remunerados. A universidade vê os seus melhores alunos, jovens qualificados, partir para o litoral ou para o estrangeiro, enquanto os empresários se queixam de falta de mão-de-obra”, salientou também a candidata, exemplificando com o Centro de Empresas Inovadoras (CEI), que, “para ser eficaz, necessita de ser acompanhado por um grande pacote de apoios e incentivos destinado a atrair jovens ‘millennials’ das cidades litorais ou do estrangeiro”.

As medidas que o Bloco de Esquerda apresenta para Castelo Branco

Entre várias medidas a implementar, na área da habitação, a candidatura do Bloco compromete-se a disponibilizar a jovens habitações renovadas nas aldeias desertificadas do concelho, bem como a requalificar casas abandonadas ou em ruínas na zona histórica do castelo, implementando uma política de arrendamento acessível e comparticipado.

“Será concedido um subsídio de instalação a fundo perdido e subsídios de maternidade. As rotas dos transportes públicos serão alargadas em número e após as 22:00. As redes de Internet e telemóvel serão reforçadas sobretudo nas aldeias desertificadas. A rede de ciclovias será expandida”, frisou a candidata à Câmara de Castelo Branco.

Também o clima e o ambiente estão na agenda do partido. “Defendemos que as verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que a Câmara vai receber devem servir para investimento na requalificação do território e da floresta. É preciso transformar a paisagem do nosso concelho e investir nas áreas que têm ardido, substituir os eucaliptos por espécies de crescimento lento para adaptar as nossas florestas às alterações climáticas”, afirmou.

Para os idosos, o Bloco apresenta várias medidas que incluem a criação de um sistema de transportes municipal gratuito para deslocações aos serviços de saúde e distribuição de medicamentos, a introdução de transportes a pedido para pessoas com mobilidade reduzida e o apoio à criação de uma rede pública de ‘cohousing’ e lares municipais. A estas medidas soma-se o desenvolvimento de programas de apoio a cuidadores informais.

Na educação, Margarida Paredes adiantou propostas que incluem a inclusão das comunidades migrantes nas escolas, a distribuição de computadores e acesso à internet a alunos carenciados e ainda a criação de bolsas de estudo para a comunidade cigana. “Contrataremos mediadores escolares oriundos das comunidades racializadas e reforçaremos a formação de alunos e alunas com necessidades especiais”.

No que à cultura diz respeito, a candidata pelo Bloco de Esquerda diz ser necessário “dignificar e promover” a rede de judiarias, por exemplo.

A implementação de um Plano Municipal para a Igualdade para “combater a discriminação de comunidades racializadas, como os negros e ciganos, ou de minorias como a comunidade LGBTI+”, foi outra das medidas referidas.

José Manuel Pureza defende que há uma diferença importante na candidatura do Bloco

O deputado José Manuel Pureza esteve presente na apresentação da candidatura, onde foram lançados os candidatos Sílvio Lopes, à Assembleia de Freguesia; José Ribeiro, à Assembleia Municipal e Margarida Paredes, à Câmara Municipal.

“Esta candidatura vem às eleições para unir a esquerda e não para jogar em divisões entre grupos desavindos, sem que se perceba porque é que são desavindos. Esta candidatura é querida pelas pessoas do Bloco, e não uma candidatura imposta pela direção nacional do BE, como acontece com outras forças políticas no concelho de Castelo Branco”, salientou, citado pela Lusa.


Notícia publicada no Interior do Avesso