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Casa da Música afasta um dos rostos da luta dos trabalhadores

Hugo Veludo foi despedido de novo, depois de ter estado envolvido na organização da mais recente greve dos trabalhadores precários da Casa da Música. Já no início da pandemia tinha sido um dos trabalhadores a recibos verdes dispensados.
Protesto dos trabalhadores da Casa da Música - Foto de Precários Inflexíveis | Facebook

As retaliações na Casa da Música continuam, agora com o afastamento de um dos rostos mais visíveis da luta dos trabalhadores desta instituição, Hugo Veludo, assistente de sala desde 2017.

O Sindicato de todos os Trabalhadores de Espectáculos (CENA-STE), em comunicado, denuncia que o trabalhador “está a ser vítima de represálias através da coordenação responsável pela Frente de Casa, havendo ordens superiores para excluir este trabalhador de todos os eventos”.

A Casa da Música continua a manter dezenas de assistentes de sala em regime de prestação de serviços, “recusando a sua integração nos quadros da fundação”, alerta o sindicato. E assim, “os trabalhadores nestas condições são sujeitos às arbitrariedades das chefias que decidem quem tem o direito a trabalhar (e ser remunerado), em cada momento”, acrescenta.

O CENA-STE coloca-se “ao lado de Hugo Veludo e manifesta a sua repulsa por qualquer acto de retaliação que recaia sobre os trabalhadores”.

Também os Precários Inflexíveis mostraram a sua indignação face a esta situação. A organização refere que Hugo Veludo é “uma das pessoas que tem sido uma das caras da luta destes trabalhadores e trabalhadoras, contra a precariedade imposta” pela Casa da Música.

A associação lembra ainda que “há menos de um mês, esteve presente e foi uma das pessoas que deu voz e cara à última greve destes e destas profissionais”.

Para os Precários Inflexíveis, “esta Administração já deixou muito claro a falta de respeito que tem por quem trabalha todos os dias para que a atividade da Casa da Música exista”.

Em junho de 2020, oito trabalhadores precários da Casa da Música foram dispensados depois de participarem num protesto contra a falta de vínculo laboral. Hugo Veludo foi um dos visados, mas manteve-se a trabalhar a recibos verdes até agora.

 

Hugo Veludo: "Acreditei, e continuo a acreditar, que a minha presença na equipa era uma mais-valia"

Em declarações ao esquerda.net, Hugo Veludo disse que trabalha na Casa da Música desde 18 de novembro de 2017 e "sempre foi um sonho antigo poder trabalhar nesta Casa, depois de ter trabalhado cinco anos na Fundação Serralves, pouco depois da inauguração do Museu". 

Hugo Veludo afirmou que "trabalhar na Cultura em Portugal, em geral, e na Casa da Música, em particular, só pode ser visto de uma maneira:  para desempenhar um trabalho sério, competente e eficaz, há que «vestir a camisola» e dar tudo o que estiver ao nosso alcance". 

Mesmo com o recente afastamento, o trabalhador sublinha que "acreditei, e continuo a acreditar, que a minha presença na equipa era uma mais-valia, pelos anos de experiência que tinha, pelas várias valências e competências linguísticas, pelo zelo profissional". 

"Desde o dia 1 de junho de 2020 que a minha imagem pública ficou ligada a toda a polémica gerada em torno das questões laborais da Casa da Música. A pertinência da nossa luta e as pessoas que nela acreditam fez-nos chegar a uma audiência parlamentar", vincou Hugo Veludo. 

A nova Administração desenvolveu um novo organograma da Fundação, o que fez que a Frente da Casa passasse a depender de uma outra Direção e "foi apenas a partir deste momento que começaram a fazer-se sentir as retaliações: retiraram-me trabalho, destrataram-me no local de trabalho, recusam-se a permitir que continue a trabalhar a partir de 31 de dezembro", apontou, acrescentando que "resta frisar a extrema insensibilidade de esta tomada de posição ser feita a tão poucos dias do Natal".

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