Um apelo promovido por dez personalidades de vários quadrantes da vida política e social portuguesa juntou mais de 350 signatários de uma carta dirigida ao Alto Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau, impedindo a conclusão do processo eleitoral e a proclamação dos resultados das eleições presidenciais. Nesta carta aberta entregue na embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa, deixam o pedido de “imediata libertação de todos os presos políticos ainda detidos, designadamente Domingos Simões Pereira”.
Guiné-Bissau
Protesto em Lisboa exigiu conclusão do processo eleitoral guineense
"Apesar de ter sido avisado de véspera que iria uma delegação entregar-lhe uma carta, o embaixador não nos recebeu (foi dito que não estava) e os vários diplomatas e funcionários com quem contactámos recusaram-se a receber a carta. A carta foi deixada por nós em cima da mesa que está na portaria situada no Hall da embaixada", afirmou a delegação dos promotores desta carta aberta.
Os signatários expressam a sua “profunda preocupação e consternação pela situação atual do país” e apresentam o seu protesto “pela reiterada quebra da legalidade constitucional e captura do poder por interesses privados”.
Chamam também a atenção para a “necessidade de que seja restabelecida a ordem constitucional, apurado o que aconteceu com o escrutínio da eleição de 23 de novembro, devolvido o poder aos civis, garantidas as liberdades de manifestação, reunião e participação política, observados os direitos humanos e assegurada a democracia na Guiné-Bissau”. Por fim, apelam ao respeito pelas posições assumidas pelas Nações Unidas, União Europeia, União Africana, CEDEAO e CPLP, comprometendo-se a “continuar solidariamente ao lado do povo guineense, na defesa da sua dignidade e dos seus direitos inalienáveis”.
Os promotores da iniciativa são os advogados Ricardo Sá Fernandes, Francisco Teixeira da Mota e José Ribeiro e Castro, os professores universitários António Duarte Silva, Miguel Poiares Maduro e Wladimir Brito, as dirigentes associativas Luísa Teotónio Pereira e Fátima Proença, o médico Francisco George e a embaixadora aposentada Ana Gomes. Entre os subscritores encontram-se o coordenador bloquista José Manuel Pureza e a eurodeputada Catarina Martins.