Apesar dos desmentidos da empresa Maersk e do governo português, que autorizou o cargueiro Nysted Maersk a atracar no porto de Lisboa no passado sábado, a campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) a Israel reafirmou esta sexta-feira as suas suspeitas de que mais uma vez este cargueiro está a transportar material militar para Israel. Após deixar parte da sua carga em Lisboa, o Nysted Maersk rumou a Tânger, onde terá carregado o material sob suspeita ali deixado dias antes por outro cargueiro da Maersk, o Denver, com origem nos EUA. Uma prática que tem sido habitual no último ano e que até agora tinha lugar em território espanhol.
Genocídio
"Portugal está a ser cúmplice": manifestantes juntam-se contra atracagem do navio do genocídio
“O Nysted Maersk, um dos navios que alimenta o esquema da Maersk de transporte ilegal de carga militar para Israel, recebeu pelo menos 46 envios militares dos EUA deste 7 de outubro [de 2023] do navio Maersk Denver, de forma a transportá-los para Israel usar no genocídio em curso contra 2,3 milhões de palestinianos”, afirma a campanha BDS nas redes sociais.
O esquema é conhecido e tinha a plataforma montada no porto espanhol de Algeciras, até a pressão do movimento de solidariedade com a Palestina obrigar o governo de Pedro Sánchez a pôr fim à operação. Os cargueiros da Maersk com origem nos Estados Unidos (como o Denver) transportavam para ali o material militar e seguiam a sua viagem para outros pontos do globo, enquanto outros cargueiros da empresa que fazem a rota dos portos mediterrânicos (como o Nysted) recolhiam em seguida essa carga militar com destino a Israel.
A recusa do governo espanhol obrigou a operação a mudar-se para Marrocos, o que levantou protestos da população e de alguns partidos que pedem uma investigação e exigem saber qual é a carga que chegou ao seu país.
Segundo o Palestinian Youth Movement, que em conjunto com o Progressive International criou a campanha “Mask off Maersk” e divulgou recentemente um relatório a explicar todo o esquema de transporte militar dos EUA para Israel através desta empresa, no próprio porto de Tânger houve resistência dos trabalhadores, com dez estivadores a recusarem-se a participar na operação de carga para o Nysted do material deixado pelo Denver naquele porto. A organização divulga ainda fotografias de veículos militares vindos dos EUA entre o material que é carregado em Tânger.
A campanha BDS acrescenta que a carga do Nysted, que deve chegar este fim de semana ao porto de Haifa, em Israel, está classificada com o grau A de perigo, mais um indício de que poderá seguir material militar a bordo. Este navio tem bandeira de Hong Kong e tal como no caso do Kathrin a organização apela às autoridades daquele território para que retirem imediatamente o seu pavilhão do navio. A BDS exige também que os cargueiros envolvidos no esquema de transporte ilegal de material militar sejam impedidos de entrar em portos ou nas águas territoriais dos governos que não queiram ser cúmplices com o genocídio.