A vereadora Beatriz Gomes Dias solicitou o agendamento como extra agenda para a reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa desta quarta-feira das suas propostas para resolver "o caos no trânsito e transportes públicos criado pela inação de Carlos Moedas". A proposta do Bloco para a criação de um plano de contingência acabou aprovada por unanimidade e "obriga a CML a articular com Carris, Metro e CP para encontrar alternativas de mobilidade face ao caos de trânsito que se está a viver em Lisboa", afirmou a vereação em comunicado.
No período antes da ordem do dia, a vereadora bloquista lembrou que "reunimos com o Presidente da Câmara em abril de 2022, há mais de um ano, e apresentámos esta proposta em outubro de 2022, depois de não termos nenhuma resposta nem nenhum plano apresentado pelo Presidente".
Trata-se da proposta para criar um Plano de Contingência em conjunto com a Carris, Metro e CP para o tráfego na cidade durante o período em que decorrem grandes empreitadas como a do Plano de Drenagem e o alargamento da rede do Metropolitano de Lisboa.
"Demos um instrumento perfeito para o Presidente usar para resolver os problemas que estavam colocados", prosseguiu Beatriz, acrescentando que Carlos Moedas "ignorou este plano e deixou-o na gaveta a ganhar pó e mofo durante este tempo". Por isso, "é com surpresa que vemos agora o presidente a descartar-se da sua responsabilidade, apontando exclusivamente culpas ao Metro pelo caos que se está a viver", acusou a vereadora, referindo-se às declarações públicas de Moedas esta semana.
"O papel do Presidente da Câmara não é só fazer o diagnóstico do problema e não apresentar uma solução. Tinha na sua posse há quase um ano um instrumento fundamental para responder a esta realidade", insistiu a vereadora do Bloco, criticando Moedas por nem sequer ter reunido com o Metro "para poder ver qual seria a melhor forma de acautelar esta realidade, nem com a CP ou a Carris". Ou seja, "ignorou a proposta e agora considera que não tem capacidade para responder às pessoas que vivem e trabalham em Lisboa", resumiu.
O que diz a proposta do Plano de Contingência para a mobilidade em Lisboa?
Ao fim da tarde, a proposta do Bloco chegou finalmente à reunião de Câmara e acabou aprovada por unanimidade. Ela defende que a Câmara, em conjunto a Carris, o Metropolitano de Lisboa e a CP, e auscultando as Juntas de Freguesia e a população, desenvolva um Plano de Contingência para o tráfego durante o período destas empreitadas. E que este Plano deve "reforçar a oferta dos transportes públicos nas zonas mais afetadas e desenvolver percursos alternativos para que os impactos no trânsito automóvel sejam mitigados através da utilização dos transportes públicos".
Por outro lado, o Plano de Contingência proposto "deve ter em conta a utilização de alternativas de mobilidade ativa, nomeadamente ciclovias e zonas pedonais, que permitam manter a mobilidade dos munícipes nas zonas mais afetadas" e incluir "um plano de comunicação eficaz e abrangente, que indique aos munícipes os constrangimentos na circulação rodoviária e as alternativas de transportes públicos".