Manifestação

Canárias volta a protestar contra turismo excessivo

21 de outubro 2024 - 18:31

Seis meses após as enormes manifestações, a população voltou a sair às ruas nas várias ilhas do arquipélago para dizer que nada mudou e exigir uma “moratória turística”.

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Manifestação em Maspalomas, Gran Canária
Manifestação em Maspalomas, estância turística no sul da ilha de Gran Canaria. Foto de Eduardo Robaina/X - @EduRobayna

Cerca de 30 mil pessoas manifestaram-se este domingo nas várias ilhas do arquipélago das Canárias contra o modelo de turistificação que no ano passado atraiu 16 milhões de visitantes, um número que deverá ser ultrapassado este ano. A dimensão do negócio do turismo está a expulsar os habitantes das zonas onde nasceram e cresceram e a tornar as suas vidas insustentáveis, queixam-se os manifestantes.

 

 

Depois das gigantescas manifestações de abril, a população canária sente que ninguém lhe deu ouvidos no plano institucional, com as “mesas de especialistas” anunciadas pelas autoridades insulares a servirem, na opinião das associações e coletivos promotores das manifestação, como uma estratégia de apaziguamento deste movimento. Em alternativa, exigem espaços de diálogo onde possam apresentar as suas propostas e uma moratória turística, depois de no mês passado o governo canário ter recusado implementar esta moratória para o alojamento local, que constitui já 36% da oferta turística das ilhas com 190 mil casas disponíveis e que nalguns municípios, como Las Palmas ou La Oliva (Fuerteventura) já ultrapassa o alojamento hoteleiro.

Os manifestantes voltaram este domingo a reclamar contra um modelo que dizem trazer cada vez “mais hotéis, mais turistas, mais destruição ambiental, mais seca, mais alterações climáticas, mais precariedade”. E escolheram locais de grande concentração de turistas para o protesto, para que não só os governantes mas também “os que nos visitam compreendam que este modelo turístico é insustentável e destrutivo para a nossa terra”.