Cerca de 30 mil pessoas manifestaram-se este domingo nas várias ilhas do arquipélago das Canárias contra o modelo de turistificação que no ano passado atraiu 16 milhões de visitantes, um número que deverá ser ultrapassado este ano. A dimensão do negócio do turismo está a expulsar os habitantes das zonas onde nasceram e cresceram e a tornar as suas vidas insustentáveis, queixam-se os manifestantes.
Hoy los canarios y canarias han vuelto a salir a la calle a gritar que #CanariasTieneUnLimite. En esta ocasión, la manifestación ha tomado las calles de las principales zonas turísticas de las islas.
Maspalomas, Gran Canaria. pic.twitter.com/NowxsUgrbd— Eduardo Robaina (@EduRobayna) October 20, 2024
Depois das gigantescas manifestações de abril, a população canária sente que ninguém lhe deu ouvidos no plano institucional, com as “mesas de especialistas” anunciadas pelas autoridades insulares a servirem, na opinião das associações e coletivos promotores das manifestação, como uma estratégia de apaziguamento deste movimento. Em alternativa, exigem espaços de diálogo onde possam apresentar as suas propostas e uma moratória turística, depois de no mês passado o governo canário ter recusado implementar esta moratória para o alojamento local, que constitui já 36% da oferta turística das ilhas com 190 mil casas disponíveis e que nalguns municípios, como Las Palmas ou La Oliva (Fuerteventura) já ultrapassa o alojamento hoteleiro.
Os manifestantes voltaram este domingo a reclamar contra um modelo que dizem trazer cada vez “mais hotéis, mais turistas, mais destruição ambiental, mais seca, mais alterações climáticas, mais precariedade”. E escolheram locais de grande concentração de turistas para o protesto, para que não só os governantes mas também “os que nos visitam compreendam que este modelo turístico é insustentável e destrutivo para a nossa terra”.