Canárias

Uma mobilização de massas contra a turistificação

23 de abril 2024 - 16:52

150 mil pessoas manifestaram-se este fim de semana nas Canárias contra um modelo económico de destruição ambiental, pobreza e precariedade.

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Manifestante nas Canárias com um cartaz a defender que a região "tem um limite".
Manifestante nas Canárias. Foto de @VeletaWilly/Twitter.

O apelo surgiu de um grupo criado em março e chamado “Canarias se ahota”, (Canárias esgota-se). Defende limitações à turistificação e sobretudo uma mudança no modelo económico subjacente, feito de pobreza, baixos salários e aumento das rendas e que tem levado à destruição das paisagens naturais e à escassez de água. Em cima da mesa estão propostas como uma moratória à construção de novas unidades hoteleiras, a introdução de uma ecotaxa e a regulação da compra de habitações por estrangeiros não residentes.

Os manifestantes fizeram ouvir que “o Governo das Canárias é uma imobiliária” e que “as Canárias não vivem do turismo, o turismo vive das Canárias”, unindo preocupações ambientais com outras relacionadas com a precariedade e o facto de os lucros daquela atividade económica não se traduzirem socialmente.

As oito ilhas das Canárias têm 2,2 milhões de habitantes e, a cada ano, são visitadas em média por cerca de 16 milhões de turistas. Calcula-se que 40% dos canários trabalhem diretamente para o setor do turismo, responsável por 36% do PIB.

A tendência é semelhante noutros pontos de Espanha, considerado o segundo país com mais turistas do mundo. O ano passado foram 85 milhões. Por os problemas sentidos nas Canárias serem comuns a outros pontos, têm acontecido várias ações contra a turistificação. E este este fim de semana houve igualmente manifestações solidárias organizadas em Madrid, Barcelona, Malaga, Granada e Palma de Mallorca. Ao mesmo tempo, os canários no estrangeiro organizaram protestos em Berlim, Londres e Paris.

Há ainda seis membros da associação em greve de fome desde 11 de abril, depois de ter sido lançado um ultimato de dez dias, não cumprido, ao governo canário para tomar medidas sobre o problema. No topo das reivindicações está a construção de mais duas unidades hoteleiras no sul de Tenerife, o Hotel de La Tejita e a Cuna del Alma. As organizações de defesa ambiental consideram que estas construções são ilegais.