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BPN: Impunidade continua

Faz neste domingo três anos que teve início o julgamento do processo principal do caso BPN e, até agora, apenas foram ouvidas 63 das 300 testemunhas. Os negócios em torno do banco e da SLN continuam a lesar o Estado. Ex-donos mantêm negócios milionários. Alguns altos responsáveis do banco foram chamados ao governo Passos Coelho/Paulo Portas, com o apoio de Cavaco Silva.
Enquanto a impunidade continua no escândalo BPN/SLN, os antigos donos do grupo mantêm negócios milionários e os responsáveis pelo negócio ruinoso convivem alegremente com atuais governantes e altos dirigentes do PSD

Segundo a agência Lusa, no julgamento do processo principal do caso do Banco Português de Negócios (BPN) foram ouvidas 63 testemunhas de acusação, faltando ouvir os depoimentos em tribunal de 23 testemunhas arroladas pelo Ministério Público, sete das quais recentemente.

E, falta ouvir em tribunal os depoimentos de todas as testemunhas de defesa, entre as quais se destaca o fundador do BPN, José Oliveira Costa, a que se soma a empresa Labicer.

O processo está pois muito longe de ser concluído, faltando ouvir a maior parte das testemunhas. Neste processo, que corre nas Varas Criminais de Lisboa, estão em causa diversos crimes económicos, desde abuso de confiança a burla qualificada, passando por fraude fiscal, falsificação de documentos e outros.

Além deste processo principal, existem dezenas de outros processos relacionados com o escândalo BPN que correm em diversos tribunais do país, entre os quais os processos que envolvem Duarte Lima e Dias Loureiro, ex-dirigentes do PSD e figuras gradas do partido no tempo dos governos de Cavaco Silva. Duarte Lima foi então líder parlamentar do PSD e Dias Loureiro ministro.

Segundo a Lusa, atualmente os trabalhos do coletivo de juízes do processo principal incidem na empresa de cerâmica Labicer. Esta empresa é um dos casos mais ruinosos do grupo BPN, apontando-se para um prejuízo de cerca de 90 milhões de euros.

Negócios BPN continuam a lesar o Estado

O BPN foi nacionalizado em outubro de 2008 e reprivatizado em 2011, mas os negócios do BPN continuam a lesar o Estado e os prejuízos totais estão longe de estar terminados. Até final de 2012 o prejuízo total do Estado atingiu 3.400 milhões de euros, mas o montante global poderá chegar a 7.000 milhões de euros. (ver artigo BPN: o assalto laranja ao país)

Além disso, o governo continua a alimentar negócios ruinosos com o que resta do grupo BPN. Ainda esta semana, o Tribunal de Contas vetou negócio milionário entre o ministério da Saúde e o grupo Galilei, ou seja a ex-SLN (Sociedade Lusa de Negócios), dona do BPN. (ver artigo no esquerda.net: Tribunal de Contas veta negócio milionário entre ministério da Saúde e grupo Galilei, ex-SLN)

A reprivatização do banco ao BIC é mais um desses negócios ruinosos, que favoreceu o banco presidido por Mira Amaral, outro ex-dirigente do PSD e ex-ministro de Cavaco Silva. O BIC terá comprado o BPN com crédito do próprio BPN e está a tentar que o tesouro público lhe pague mais do que o que despendeu na compra do BPN. (Ver notícias no esquerda.net: BIC comprou BPN com crédito do próprio banco e BIC exige 100 milhões para banco que comprou por 40 milhões).

Entretanto, antigas figuras gradas do universo BPN/SLN são chamados ao governo PSD/CDS, como acontece com Franquelim Alves e com o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete. (Ver artigos no esquerda.net: Franquelim Alves é testemunha de acusação e de defesa no caso BPN e Rui Machete escolheu Oliveira e Costa como seu representante na SLN)

Enquanto a impunidade continua no escândalo BPN/SLN, os antigos donos do grupo mantêm negócios milionários, como relatou uma reportagem da revista Visão em abril passado, e os responsáveis pelo negócio ruinoso convivem alegremente com atuais governantes e altos dirigentes do PSD, como revelaram as notícias do réveillon de 2013 que juntou Miguel Relvas, Dias Loureiro e José Luís Arnaut, em Copacabana no Brasil. (Ver BPN: ex-donos mantêm negócios milionários e Relvas e Dias Loureiro em férias de luxo em Copacabana)

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