Os sucessivos escândalos na governação acabaram por levar à demissão de Boris Johnson, mas antes ainda foi necessário que ocorresse uma saída sucessiva de mais de 50 membros do seu governo em cerca de 48 horas.
O agora ex-líder do partido conservador queixou-se destas demissões: “Como temos visto em Westminster, o instinto de rebanho é poderoso”, disse.
Na sua declaração à porta do número 10 de Downing Street, Boris Johnson afirmou: "Concordei que o processo de escolha de um novo líder [dos conservadores] deve começar hoje", admitindo que “é claramente a vontade do Partido Conservador que haja um novo líder e, portanto, um novo primeiro-ministro”.
Acrescentou também que o calendário para a eleição de um novo líder dos conservadores será estabelecido na próxima semana e disse que estava “triste por desistir do melhor emprego do mundo”, como considerou o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido.
O El Pais salienta que Boris Johnson dedicou as últimas horas a nomear novos ministros, depois das demissões e para que o executivo possa governar até à escolha de novo líder conservador. “Haverá um novo gabinete ao serviços dos britânicos, e eu próprio estarei à frente até que o Partido Conservador eleja um líder”, disse Johnson.
A hipótese de Boris Johnson se manter ao longo de vários meses à frente do partido e do governo, até ao congresso dos conservadores no outono, levanta preocupações no seu próprio partido, temeroso da queda nas sondagens devido aos sucessivos escândalos.
Outras hipóteses começaram entretanto a ser equacionadas, para acelerar a sua saída, nomeadamente a subida de Dominic Raab, atual vice-primeiro-ministro, a líder interina até à eleição de novo líder.