José Luís Borges Coelho era até esta quinta-feira um dos dois representantes do Estado português no Conselho de Administração da Casa da Música. O maestro anunciou agora a sua saída, justificando-a com um “desacordo solitário com o modo como tem vindo a ser conduzido o processo dos chamados ‘precários’”.
Em comunicado enviado a vários órgãos de comunicação social, Borges Coelho diz que houve “resistência ao diálogo, a pretexto da não existência de estrutura que represente os signatários do abaixo-assinado”. Estes 92 trabalhadores contestavam a forma como a entidade geriu a situação da pandemia. Refere ainda “represálias e intimidações a que, segundo tudo indica, parte significativa desses signatários tem vindo a ser sujeita”, a falta de reconhecimento da “meia dúzia de casos de trabalhadores dependentes a quem se paga como se fossem trabalhadores independentes ” e o “descartar” para a Segurança Social da “esmagadora maioria dos trabalhadores precários da instituição”, como assistentes de sala e guias.
Borges Coelho terá, de acordo com o Público, sido o único membro da administração da Casa da Música a defender a manutenção do pagamento de salário durante o encerramento devido à pandemia aos trabalhadores da instituição que estavam a recibos verdes, o que deveria acontecer com base no seu histórico de remunerações.
O maestro e musicólogo esclarece ainda que a nove de junho comunicou com o gabinete da ministra da Cultura, Graça Fonseca, e colocou o lugar à disposição porque “só me encontraria em condições para levar o meu mandato até ao seu termo mediante um conjunto de garantias que assegurassem a superação do actual mal-estar entre as partes, o que passa por um tratamento condigno da precariedade, mas, também, pela criação de canais de diálogo com todos os trabalhadores da Casa e pela consagração estatutária da sua representação no Conselho de Administração”.
Uma vez que não houve “o mais leve sinal da tutela” saiu esta quinta-feira.