Bolseiros protestam contra “precarização do trabalho científico”

22 de maio 2013 - 18:34

Esta quarta feira, centenas de bolseiros de investigação científica participaram numa ação de protesto, em Coimbra, contra “as políticas da Fundação para a Ciência e Tecnologia” (FCT) e do governo, designadamente, de “precarização do trabalho científico”.

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Foto retirada do facebook do núcleo de Coimbra da ABIC.

A iniciativa, organizada pela Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), visa “relembrar ao Ministério da Educação e Ciência (MEC) e ao Governo que não se pode continuar a fazer ciência da forma como se tem feito em Portugal”, adiantou João Pedro Ferreira, da ABIC, à agência Lusa.

O investigador referiu que os bolseiros de investigação científica são “trabalhadores qualificados”, que “trabalham sem contrato há vários anos” e que “vivem sistematicamente da bolsa”, sendo que a mesma muitas vezes ou não é renovada ou conta com um enorme atraso na sua atribuição, privando os bolseiros de qualquer apoio durante meses.

“Para se fazer ciência de qualidade, para se continuar a ter os melhores quadros em Portugal”, é imperativo assegurar “estabilidade a longo prazo” e condições de trabalho aos bolseiros de investigação científica, defendeu João Pedro Ferreira, lembrando que, “sem contrato de trabalho”, os bolseiros não têm “acesso a uma segurança social digna”.

“Como noutras áreas do Estado”, o governo está, “também na ciência, a cortar drasticamente” no orçamento para o setor e “a pôr em causa a investigação científica”, lamentou o representante da ABIC.

O protesto, que teve lugar na Praça Dom Dinis, no Polo I da Universidade de Coimbra, insere-se na campanha desenvolvida pela ABIC, que consiste na “realização de iniciativas de luta descentralizadas por todo o mês de Maio sob o lema 'O Futuro Não Se Constrói Com Ciência Precária'”.

Durante a ação, foram recolhidos postais, a serem posteriormente entregues à FCT, nos quais os bolseiros referem a sua situação laboral e as condições precárias a que estão sujeitos, e foram igualmente exibidas folhas de papel, onde estes mencionaram há quantos anos estão a trabalhar sem contrato – há quem esteja nesta situação há 14 anos.

Para quinta feira estão agendados novos protestos em Aveiro e em Bragança, estando ainda previstas ações idênticas, até final de maio, na Covilhã, em Évora, em Lisboa e no Porto, conforme adiantou João Pedro Ferreira.