“O índice PSI 20 [que agrega as 20 maiores empresas cotadas na bolsa portuguesa] abriu hoje numa forte queda de 6,2%. Em termos de abertura é a pior do PSI 20 desde outubro de 1998 e é a terceira pior de sempre”, avançou Filipe Garcia, analista do IMF - Informação de Mercados Financeiros, à agência Lusa. Pouco antes das 10h, a queda na Bolsa de Lisboa já ultrapassava os 7%.
Por voltas das 12h desta quarta feira, nenhuma empresa se encontrava em terreno positivo, contudo, é a banca que regista as maiores quedas. O Banif caía 14,13%, o BCP 13,98%, o BPI 11,54% e o BES 10,46%. Na abertura da sessão, o Banif chegou a cair 43%.
O colapso político vivido no país também se reflete nos juros da dívida soberana de Portugal, que subiram acentuadamente em todos os prazos. Os juros a 10 anos chegaram a ultrapassar os 8,23%, o valor mais alto desde 27 de novembro, e depois de terem fechado na terça-feira a 6,720%. Os juros a dois e a cinco anos dispararam, por sua vez, mais de 100 pontos base. Às 12h30 estavam a transacionar-se no mercado secundário a 4,831% e a 7,279%, respetivamente.
A crise portuguesa também tem consequências além fronteiras. Os juros das dívidas de Itália, de Espanha e Grécia também registaram subidas.
Os juros da dívida grega a 10 anos estavam esta quarta feira a subir face a terça feira, sendo negociados a 11,416%. Os juros da dívida espanhola e italiana registaram um aumento de 12 pontos base para 4,74% e 4,53%, respetivamente.
A bolsa espanhola estava a cair 3%, acompanhando a tendência negativa que se observa no resto da Europa.
Saxo Bank anuncia a queda do governo português nas próximas 48h
"Portugal, sob pressão económica grave de uma falta de crescimento, um setor público inchado e mais de uma década de não crescimento, provavelmente verá a queda do seu governo dentro das próximas 48 horas, apesar das garantias do primeiro ministro Pedro Passos Coelho de que ele não vai renunciar ", afirmou Steen Jakobsen, economista chefe do Saxo Bank, numa nota intitulada "Portugal - o Cisne Negro deste Verão".
"Passos Coelho está, aparentemente, a viajar para Berlim para uma conferência sobre desemprego jovem, mas ele sabe que acabou - the game is over", salientou Jakobsen, adiantando que "a coligação está a cair. Vai cair em breve. Passos está a jogar um jogo político”. “O grande perdedor desta manhã é Portugal como país”, frisou, antecipando “um segundo resgate ao país nos próximos seis meses".