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Bloco vota contra Orçamento que “aumenta empobrecimento e desigualdades em Portugal”

Mesa Nacional do partido decidiu, por unanimidade, votar contra o Orçamento para 2023. Catarina Martins lamentou que o Partido Socialista opte por não valorizar salários e pensões e beneficie uma “economia predatória dos lucros rápidos que está a causar tantas dificuldades no país”.
Foto de Miguel A. Lopes, Lusa.

“Este é um orçamento que aumenta o empobrecimento e as desigualdades em Portugal (…) Este foi o orçamento que o PS quis fazer com todos os dados em cima da mesa e em que quem vive do seu trabalho vai perder poder de compra no próximo ano, e não há qualquer mecanismo de controlo de preços”, assinalou Catarina Martins no âmbito da conferência de imprensa realizada após a Mesa Nacional do partido.


Ler aqui a Resolução da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda de 19 de novembro de 2022


A coordenadora bloquista defendeu que, neste Orçamento, o Governo já não pode dizer que foi surpreendido pela conjuntura internacional, na medida em que “não há novidades na guerra ou no ciclo da inflação”.

“O PS continua a achar que os salários são o que determina a inflação. Não é verdade”, vincou Catarina, esclarecendo que “o que tem vindo a determinar o aumento da inflação é o aumento dos lucros”.

Para o Bloco, a resposta passa pelo “aumento de salários e das pensões” e uma maior responsabilização das empresas. Mas o PS opta por beneficiar uma “economia predatória dos lucros rápidos que está a causar tantas dificuldades no país”.

Acresce que, no debate do Orçamento do Estado para 2023, se “falou de tudo menos do que consta do documento”. Em causa estão, por exemplo, os acordos sobre rendimentos celebrados pelo Governo em sede de concertação social, que não dão quaisquer garantias de recuperação do poder de compra aos trabalhadores.

Por outro, o debate tem sido marcado “por anúncios que não estão em lado nenhum”. Apesar de o primeiro-ministro ter avançado com a possibilidade de acabar com os vistos ‘gold’, a medida não consta do documento nem foi apresentada pelo PS na especialidade.

“Do mesmo modo, propostas anunciadas para apoiar as famílias face ao aumento dos juros no crédito à habitação não estão no Orçamento nem nas propostas do PS”, referiu Catarina.

Sobre a ideia veiculada pelo PS de que as maiorias absolutas dão estabilidade, a dirigente do Bloco sublinhou que essa ideia está “completamente ultrapassada”, até porque “não foi nenhum partido da oposição” que criou casos que “fragilizaram sucessivos governantes”.

“A ideia de que as maiorias absolutas dão estabilidade está complemente ultrapassada: nós tivemos uma maioria PSD/CDS-PP que cortou nos rendimentos dos trabalhadores e criou caos nos serviços públicos, temos uma maioria absoluta do PS que tropeça na sua própria incapacidade e nos seus escândalos”, frisou.

“Derrota da política do ódio” é uma notícia importante “para o Brasil e para todo o mundo”

Catarina fez referência à vitória de Lula da Silva nas presidenciais do Brasil, apontando que “a derrota da política do ódio” é uma notícia importante “para o Brasil e para todo o mundo”.

A coordenadora do Bloco já trocou “algumas palavras” com o presidente eleito do Brasil.

“Dei conta da esperança que o Bloco deposita na sua presidência. A derrota de Bolsonaro, a derrota da política do ódio e da violência é uma notícia do Brasil que é importante para todo o mundo”, explicou.

Catarina avançou que espera que “as exigências climáticas, de combate à fome e à violência” se concretizem na presidência de Lula da Silva no Brasil.

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