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Bloco questiona Ministra da Cultura sobre plantação de árvores em muralha de Valença

O projeto de requalificação do centro histórico da cidade foi o pretexto para a plantação de árvores no pano da muralha da fortaleza de Valença, com danos potencialmente irreversíveis.
Fortaleza de Valença. Imagem via radiodoaltominho.pt
Fortaleza de Valença. Imagem via radiodoaltominho.pt

Numa pergunta enviada ao Ministério da Cultura, a deputada Alexandra Vieira questiona a plantação de árvores no pano da muralha da fortaleza de Valença feita ao abrigo de um projeto de requalificação do centro histórico da cidade.

A deputada refere que "moradores e especialistas têm vindo a público denunciar o perigo que representa a plantação de pereiras bravas em cima da muralha" da segunda cidade do distrito de Viana do Castelo, numa zona designada por adarve da Gaviarra.

A intervenção é perigosa "por duas razões. Uma é que os panos de muralha não têm árvores, nem nunca tiveram, precisamente para garantir a sustentação da muralha que não é maciça. A outra razão é estrutural e tem a ver com as raízes e o porte das árvores. As raízes infiltram-se e causam danos na muralha. O peso do porte das árvores também tem esse efeito negativo", aponta a deputada.

Além destas ameaças, há ainda o "perigo de derrocada que representam árvores de grande porte como é o caso das pereiras bravas", plantadas na muralha, e que "atingem a altura de 13 metros e as suas raízes são de rápido crescimento".

"Perante estas evidências, e sensível às questões levantadas, o gabinete de arquitetura coordenado por Eduardo Souto de Moura já mostrou disponibilidade para alterar o projeto. A própria Direção-Geral do Património Cultural também levantou questões quanto à plantação de árvores naquele local, tendo já instado a Câmara Municipal de Valença a remover as árvores, há pelo menos um ano. Como se trata de um monumento nacional classificado, se a Câmara Municipal de Valença mantiver esta posição, incorre em crime contra o património", argumenta a deputada.

Por isso, o grupo parlamentar do Bloco quer saber se o governo tem conhecimento da situação e que medidas irá tomar para salvaguardar a fortaleza de Valença, monumento nacional e candidatado a Património da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês).

O monumento assume particular importância pela dimensão, com uma extensão de muralha de 5,5 quilómetros, e pela história, tendo sido, ao longo dos seus cerca de 700 anos, a terceira mais importante de Portugal.

A fortaleza desempenhou um papel preponderante na defesa dos ataques de Espanha e chegou a receber cerca de 3.500 homens, em dois regimentos do Exército. A presença militar só terminou em 1927, com a saída do último batalhão do Exército.

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