O Exército Português confirmou o falecimento do Alferes de Infantaria João Rafael Paulino dos Santos Cardoso, de 23 anos, após um incidente ocorrido durante o Curso de Operações Especiais em Penude, no concelho de Lamego.
O militar, natural de Mafra e licenciado em Ciências Militares, encontrava-se a realizar um exercício no rio Balsemão quando desapareceu na noite de segunda-feira, 26 de janeiro de 2026. O alerta foi dado às 23:39, desencadeando uma operação de busca e salvamento que envolveu mais de 30 operacionais, incluindo equipas dos bombeiros, da GNR e do Serviço Municipal de Proteção Civil.
As operações de socorro foram fortemente condicionadas pelas condições meteorológicas adversas que se faziam sentir na região. O concelho de Lamego encontrava-se sob Aviso Amarelo emitido pelo IPMA devido à passagem da Depressão Joseph, que provocou períodos de chuva persistente e rajadas de vento que atingiram os 80 km/h.
Estas condições causaram um aumento significativo do caudal e da perigosidade do rio Balsemão, apresentando uma corrente descrita pelas autoridades locais como "muito forte". O corpo do jovem oficial foi localizado apenas na manhã de terça-feira, por volta das 08:50.
Perante a gravidade do sucedido, o Exército determinou a abertura de um processo de averiguações para apurar as circunstâncias da morte e informou a Polícia Judiciária Militar (PJM). Foram também ativados os mecanismos de apoio psicológico à família da vítima. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou publicamente o seu pesar e solidariedade aos familiares e camaradas do militar, referindo ter acompanhado o incidente desde o primeiro momento.
O Bloco de Esquerda dirigiu uma pergunta escrita ao Ministério da Defesa Nacional. O deputado Fabian Figueiredo questionou Nuno Melo sobre a gestão de risco e o cumprimento dos protocolos de segurança, sublinhando que a reincidência de incidentes fatais em instrução militar torna o escrutínio público imperativo.
O partido quer saber se foi efetuada uma reavaliação do Plano de Gestão de Riscos antes do início do exercício, considerando os avisos meteorológicos em vigor e a passagem da depressão.
O Bloco de Esquerda questiona ainda se estavam garantidas medidas de salvaguarda como a presença de mergulhadores de prevenção, meios de flutuação e cabos de vida adequados à força da corrente.
A pergunta exige esclarecimentos sobre qual era a cadeia de comando responsável pela decisão de manter o treino perante o agravamento das condições hidrológicas. Adicionalmente, o partido solicitou dados sobre o número de militares mortos ou gravemente feridos em exercícios nos últimos 10 anos, bem como as conclusões de investigações a acidentes anteriores em cursos de tropas especiais.