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Bloco quer ouvir diretor demissionário do Museu de Serralves na AR

Bloco de Esquerda quer ouvir João Ribas e o Conselho de Administração da Fundação de Serralves no parlamento. No requerimento, o partido salienta que “o conservadorismo não é critério de avaliação artística” e “um conselho de administração não é um órgão de censura”.
Inauguração da exposição de Robert Mapplethorpe, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, 20 de setembro de 2018 – Foto de José Coelho/Lusa
Inauguração da exposição de Robert Mapplethorpe, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, 20 de setembro de 2018 – Foto de José Coelho/Lusa

João Ribas demitiu-se de diretor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, nesta sexta-feira, 21 de setembro, tendo afirmado ao Público que "já não tinha condições para continuar à frente da instituição".

Segundo o jornal, a demissão acontece depois de a administração do Museu de Serralves ter limitado a maiores de 18 anos uma parte da exposição dedicada ao fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe e de ter imposto a retirada de algumas obras com conteúdo sexualmente explícito. João Ribas tinha afirmado que na exposição não haveria "censura, obras tapadas, salas especiais ou qualquer tipo de restrição a visitantes de acordo com a faixa etária".

No requerimento, assinado pelo deputado Jorge Campos, o Bloco de Esquerda requer a audição do Diretor demissionário do Museu de Serralves, João Ribas, e do Conselho de Administração da Fundação de Serralves na comissão parlamentar de Cultura.

Referindo que “a exposição dedicada ao fotógrafo Robert Mapplethorpe terá sido alterada na sua organização e algumas obras retiradas”, o documento salienta que a obra do fotógrafo “questiona limites e foi mesmo objeto de censura no passado”, sendo atualmente “considerada uma referência incontornável da fotografia”, presente em importantes museus de arte contemporânea do mundo.

“A decisão de alterar a organização da exposição, retirando algumas obras da exposição e, noutros casos, juntando numa mesma sala obras classificadas por critérios desconhecidos como ‘para maiores de 18 anos’, é inédita em Serralves e suscita a maior perplexidade”, destaca o texto, apontando que “os museus são espaço de conhecimento e liberdade”, que “o respeito pelos visitantes faz-se pela informação clara sobre a natureza das exposições” e que tem sido por estes critérios que o museu se tem guiado.

“O conservadorismo não é critério de avaliação artística, não pode substituir-se à curadoria de uma exposição e um conselho de administração não é um órgão de censura da direção do museu que tutela”, salienta o documento, apontando que “o caso é tão mais grave quanto se trata de uma fundação com participação e financiamento do Estado português e um dos mais importantes museus do país”.

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