Bloco exige condenação do Governo ao “ataque cobarde e odioso” ao Irão

28 de fevereiro 2026 - 15:17

No almoço de comemoração do 27º aniversário do Bloco, José Manuel Pureza recordou que a luta contra a guerra foi uma das principais bases para o lançamento do partido.

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Escola feminina em Misab foi um dos alvos das bombas de Israel este sábado, fazendo 51 mortos e 60 feridos.
Escola feminina em Misab foi um dos alvos das bombas de Israel este sábado, fazendo 51 mortos e 60 feridos. Foto publicada pelo MNE do Irão

O Bloco de Esquerda juntou centenas de aderentes num almoço para comemorar os 27 anos de fundação do partido. Horas antes, os EUA e Israel bombardeavam o Irão e José Manuel Pureza dirigiu as primeiras palavras do seu discurso para “condenar de maneira clara, inequívoca, veemente, o ataque cobarde, o ataque odioso, feito esta madrugada por Israel e pelos Estados Unidos ao Irão”.

EUA e Israel bombardeiam Irão

28 de fevereiro 2026

“A primeira vez que uma bandeira deste Bloco saiu à rua foi para denunciar a guerra: nem mais um soldado para os Balcãs”, recordou o coordenador bloquista, sublinhando que a luta contra a guerra “foi uma das primeiras e mais importantes bases de lançamento” do partido em 1999 e se manteve durante todo o seu percurso. Incluindo, há quatro anos, “horas depois da invasão” russa à Ucrânia, a participação na manifestação junto à embaixada da Federação Russa em Lisboa para “denunciar a invasão e os imperialismos”.

Almoço do 27º aniversário do Bloco
Almoço do 27º aniversário do Bloco. Foto de Ana Durães.

Ao longo destes 27 anos, prosseguiu Pureza, o Bloco denunciou “ataques à autodeterminação dos povos em todo o lado: dos Balcãs a Timor-Leste, do Iraque ao Sahara Ocidental, da Ucrânia à Palestina e tantos casos mais”.

“Sobre cada uma destas agressões houve sempre alguns e às vezes uns, outras vezes outros, que escolheram, em algum momento, o silêncio”, mas o Bloco “falou sempre”, acrescentou o coordenador bloquista, invocando “essa coerência de quem nunca se calou” para agora exigir ao Governo “a condenação clara deste ataque vil à República do Irão”.

José Manuel Pureza no almoço do 27º aniversário do Bloco
José Manuel Pureza no almoço do 27º aniversário do Bloco. Foto de Ana Durães.

Montenegro “não deixará cair a ministra dos patrões” porque o Governo é “dos patrões”

No seu discurso, o coordenador do Bloco destacou ainda a luta contra o pacote laboral, que este sábado sai às ruas de Lisboa e Porto nas manifestações convocadas pela CGTP, para sublinhar que “a unidade de todos os trabalhadores e de todos os sindicatos está a mostrar uma força como há muito não víamos”.

“Essa unidade e força são imprescindíveis para derrotar o extremismo e o autoritarismo da ministra do Trabalho, mas não nos enganemos: isolar a ministra não é suficiente. Sabemos que Montenegro não deixará cair a ministra dos patrões nem a reforma dos patrões pela simples razão de que este é um Governo dos patrões”, apontou.

Num discurso em que evocou as lutas que definiram o Bloco de Esquerda, seja pelos direitos das mulheres, pela justiça climática e pelo antifascismo, Pureza afirmou que essas lutas tornaram o Bloco no “partido mais detestado pelos chefes da direita e pelos senhores dos negócios”, que sistematicamente recorrem a “mentiras e campanhas de ódio”.

Anabela Rodrigues no almoço do 27º aniversário do Bloco.
Anabela Rodrigues no almoço do 27º aniversário do Bloco. Foto de Ana Durães.

“Eles inventam de tudo e chega a ser comovente ver o tempo que perdem connosco os deputados da extrema-direita, os senhores dos negócios e os ‘spin doctors’ cuja inteligência artificial é realmente a única que têm”, afirmou.

Fernando Rosas: Bloco tem de se preparar para “lutas duras, tentativas de cancelamento e até de liquidação”

O almoço de aniversário contou com as intervenções da dirigente bloquista Anabela Rodrigues e de Fernando Rosas. O historiador e fundador do Bloco de Esquerda considerou o atual momento político que o partido enfrenta como o “mais difícil da sua curta história” e deixou o aviso de que “é bom não ter ilusões” porque “a situação vai piorar” e o Bloco tem que estar pronto para “lutas duras, tentativas de cancelamento e até de liquidação” da sua área política.

Fernando Rosas no almoço do 27º aniversário do Bloco.
Fernando Rosas no almoço do 27º aniversário do Bloco. Foto de Ana Durães.

Uma aliança que já é maioritária no Parlamento e que dispõe de “uma arma nova e potente: a manipulação algorítmica e informática dos instintos primários da despolitização da iliteracia” através das redes sociais que permitem uma “intoxicação massiva, diária, constante” para explorar “o desespero, o medo e a raiva” de vários setores da sociedade e “transformar o descontentamento com os efeitos da crise do capitalismo tardio em força política cega e obscura”.

Face a esse cenário, apelou aos militantes para que “ousem ir contra a corrente” e não temer estar em minoria, “pois a minoria, muitas vezes, tem razão”. E fazê-lo com organização coletiva nas empresas, nas escolas e nos bairros, pois é necessário “ousar recrutar” e formar novos militantes perante a “aliança que paulatinamente se está a forjar em Portugal, entre a direita e a extrema-direita fascizante”.