Delegações do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português encontraram-se esta terça-feira na primeira reunião desde a Convenção do Bloco que elegeu José Manuel Pureza para a coordenação do partido. “Quisemos que a primeira reunião interpartidária fosse com o PCP e queremos afastar quaisquer obstáculos que sejam perniciosos para que a esquerda tenha força e para que isso dê força às lutas pelos direitos sociais”, afirmou o coordenador bloquista no final do encontro realizado na sede do PCP.
A reunião serviu para identificar “muitos pontos de convergência na análise e nas respostas que temos de dar” aos ataques do governo da AD, prosseguiu Pureza, defendendo que “é preciso haver uma procura grande de convergências na ação para pôr cobro a estas agressões contra a sociedade portuguesa e sobretudo aos trabalhadores e aos mais pobres”.
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Entre esses pontos de convergência estão as lutas contra o pacote laboral e pelo direito à habitação e à saúde, mas também “a resposta a um custo de vida que se está a tornar incomportável para o povo português e está a ser alimentado pelos efeitos devastadores de uma guerra feita contra os povos, o direito internacional e as Nações Unidas”, cabendo aos aos partidos “darem apoio político no Parlamento e fora dele”.
“Saímos daqui com a convicção de que o PCP, o Bloco de Esquerda e outras forças à esquerda deverão unir as suas forças neste combate contra a agressão e a privação de direitos que está a acontecer em Portugal”, prosseguiu o coordenador bloquista.
Tendo em conta as dificuldades que a esquerda atravessa em Portugal e não só em Portugal, “temos de juntar o mais possível as nossas forças, não para um exercício de aritmética, mas para darmos força àquilo que no terreno da sociedade é necessário para resistir e para vencer”, concluiu José Manuel Pureza.
Pacote laboral: “O Governo ficou isolado desde a greve geral e não mais rompeu esse isolamento”
Questionado pelos jornalistas acerca da falta de acordo na Concertação Social sobre o pacote laboral, Pureza afirmou que a resposta “ao autoritarismo do Governo da AD” foi dada a 11 de dezembro do ano passado com a realização da greve geral. “Ela foi uma demonstração de que a unidade dos trabalhadores é o que faz virar a política. O Governo ficou isolado desde então e não mais rompeu esse isolamento. O que ontem soubemos é aparentemente o culminar de um caminho que já estava feito, que é o do isolamento crescente por parte do Governo nesta matéria”, acrescentou.
Quanto ao que se poderá seguir, Pureza entende que “o Governo pode bem insistir numa tática de autoritarismo e de imposição, mas será uma vez mais a unidade e a luta dos trabalhadores contra o pacote laboral que vai determinar a sua sorte”.
Os jornalistas quiseram obter uma reação à proposta de um “pacto para a Saúde” que o novo Presidente da República pretende patrocinar e Pureza respondeu que “não conhecemos os contornos, mas evidentemente que o Bloco estará sempre naquela perspetiva que uniu António Arnaut e João Semedo, que é a de salvar o SNS e o tornar no lugar maior da democracia portuguesa”.
“Ao longo dos anos que há um pacto para a saúde que é o pacto que destrói e desqualifica o SNS. O que o Bloco defende é um reforço do SNS, a criação de condições para os profissionais de saúde ficarem e apostarem no SNS e um reforço da qualidade dos serviços prestados pelo SNS”, concluiu