O Bloco de Esquerda lançou o desafio às outras bancadas parlamentares para que sejam aprovadas as alterações no crédito à habitação, ainda nesta sessão legislativa. "Proteger essas pessoas é uma responsabilidade de uma economia decente, de uma resposta solidária, de uma economia de prioridades sociais, ora, nós quisemos e ainda hoje insistimos para que seja resolvida até ao fim da sessão legislativa, ou seja, até à sessão do dia 25, em que serão votados os últimos projetos do Parlamento", afirmou Francisco Louçã.
O coordenador da comissão política do Bloco discursava no habitual jantar de fim de sessão legislativa, num restaurante em Lisboa.
Todos os partidos já apresentaram propostas para responder aos incumprimentos dos contratos de crédito à habitação, mas o PSD e o CDS já afirmaram que não há condições para aprovar uma proposta final antes das férias.
Na sua intervenção, Louçã alertou para as famílias que não conseguem "pagar todos os meses a sua conta ao banco para a sua dívida de habitação": "É meio milhão de pessoas, uma enorme tragédia social que se soma a um milhão e meio de desempregados":
O dirigente e deputado bloquista disse ainda que "a banca portuguesa não quer que nada aconteça e a não ser ter as hipotecas na mão para as poder executar ou não". E deixou o aviso: "Se for adiada para setembro ou outubro, só neste verão mais 1500 famílias podem perder as suas casas só pela incompetência de quem virou as costas à solução dos problemas".
"Esta foi uma prioridade, batemo-nos por ela, escolhemos bem porque respondemos às pessoas, trouxemos novas ideias, trabalho estudado, competência técnica, respostas práticas, soluções, é assim que o Bloco tem avançado sempre", enalteceu Louçã, referindo-se ao facto do Bloco ter sido o primeiro partido a apresentar uma proposta do género.
Estado "tem de mandar" nos bancos onde injetou dinheiro e orientá-los para a economia
Francisco Louçã defendeu também “uma política nacional para o crédito”: “Os bancos financiados pelo Estado só podem ter uma prioridade, a economia e o emprego”.
"Para citar uma antiga ministra das Finanças que todos bem conhecem se é verdade que quem paga manda, então a República Portuguesa tem de mandar nesses bancos, pelos quais pagou quatro vezes o seu valor", afirmou o dirigente bloquista, numa alusão a declarações da ex-líder do PSD Manuela Ferreira Leite.
Louçã acusou ainda o Governo de ter levado a cabo "uma nacionalização pateta" no BPI e no BCP, que "só traz para o contribuinte o esforço, o risco e o prejuízo e nenhuma obrigação da responsabilidade pelo crédito, pela economia, pelo emprego".
"Quando olhamos para o que o Governo está a fazer, o Governo acabou de por 5 mil milhões de euros no BPI e no BCP, nos dois casos colocou o capital em empréstimos, em títulos especiais híbridos, quatro vezes o capital do banco, ou seja, o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas nacionalizou o BPI e o BCP pagando quatro vezes o seu valor", criticou.
Para o Bloco o Estado "tem de mandar" nesses bancos "para fazerem o que a banca tem de fazer numa recessão, ajudar a economia, proteger empresas que deem emprego, proteger as exportações e a substituição de importações, dar vida às pessoas, responder com aquilo que têm e que foram tirar à economia", explicou Louçã.
Antes, o coordenador da Comissão Política do Bloco fez uma referência à investigação que está a ser feita pelo senado norte-americano ao banco inglês HSBC, por alegado envolvimento na lavagem de dinheiro no narcotráfico mexicano, para dizer que o mundo vive "uma criminalidade financeira e organizada" e que as investigações "a algumas instituições financeiras a propósito do recentíssimo processo de privatização da EDP e da REN são mais um alerta".
"Estamos no sexto ano seguido da crise financeira, começou em 2007 e em 2013 ainda teremos uma crise financeira que arrasta uma crise económica gravíssima provocada pela especulação, pela ganância, lavagem de dinheiro, pela corrupção e destruição das economias", disse.