Bloco de Esquerda denuncia descarga de esgoto para o rio Tejo

20 de julho 2018 - 9:57

O Bloco de Esquerda de Santarém denunciou a presença de uma descarga de esgoto para o Tejo, situação essa do conhecimento do município.

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Bloco de Esquerda denuncia descarga de esgoto para o rio Tejo

O Bloco de Esquerda de Santarém denunciou a existência de um ponto de descarga de esgoto diretamente para o rio Tejo, no bairro ribeirinho de Alfange, em Santarém, considerando que o município é responsável por este “atentado ambiental”.

Em conferência de imprensa, Francisco Cordeiro, eleito do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Santarém, e Armindo Silveira, ativista pelo rio Tejo, afirmaram considerar “inadmissível” que, sendo do conhecimento do município, se arraste uma situação que causa maus cheiros constantes que põem em causa o bem estar da população.

“É uma situação grave, inadmissível”, disse Armindo Silveira. O ativista recordou que Santarém acolheu em março uma Assembleia Municipal extraordinária sobre o rio Tejo, onde esteve presente o ministro do Ambiente e um conjunto vasto de entidades. Porém, “ depois, entre muros, acontece uma situação destas e não há capacidade para resolver”, afirma.

A Lusa tentou contactar o presidente da Câmara de Santarém e do Conselho de Administração da Águas de Santarém (AS), Ricardo Gonçalves, que remeteu as respostas para Teresa Ferreira,  administradora executiva da empresa. Teresa Ferreira reconheceu serem ocasionalmente detetados pontos de descarga “de origens não identificadas”, geralmente a partir de construções “muito antigas que têm redes unitárias (juntando águas pluviais e esgotos) e não separativas”.

Francisco Cordeiro lamentou que nada tenha sido feito em relação a uma situação denunciada publicamente em fevereiro, na sessão ordinária da Assembleia Municipal de Santarém, e reafirmada na extraordinária de março sobre o Tejo. “Arrasta-se há imenso tempo. O senhor presidente da Câmara tem conhecimento e devia tomar a iniciativa para resolver”, disse.

Para Armindo Silveira, “não basta dizer que houve uma cobertura de quase 90% de saneamento básico do concelho, porque muitas vezes faz-se a ligação, mas depois falta o principal”, ou seja, o tratamento dos efluentes.

“Não sei se este será um caso destes, em que estão feitas as ligações numa parte da cidade, mas, de facto, aqui, pode-se ver - o caudal ainda é volumoso -, está a ir diretamente para o rio Tejo. Isto é inadmissível quando o rio Tejo tem sofrido imensos atentados ambientais”, afirmou o ativista.