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Bloco condena “crueldade” dos administradores da Helsar

A fábrica de calçado de São João da Madeira fechou portas e deixou 60 trabalhadores sem salário nem declaração para acesso ao subsídio de desemprego.
Imagem publicada no site da Helsar

Criada em 1979, a fábrica de calçado Helsar chegou a produzir calçado para estrelas da música como Shakira ou Jennifer Lopez e esteve na ribalta na altura do último casamento real em Inglaterra por ter feito os sapatos da irmã de Kate Middleton. Isso valeu-lhe até um artigo na revista Forbes a sublinhar que essa venda valeu à empresa um aumento substancial das exportações para o Reino Unido.

Quarenta anos após a fundação e apesar da dirigente do Sindicato dos Operários da Indústria de Calçado, Malas e Afins dos Distritos de Aveiro e Coimbra, Fernanda Moreira, dizer à Lusa que “encomendas não faltam na Helsar”, os trabalhadores foram surpreendidos esta segunda-feira com o anúncio do advogado dos gestores de que a empresa ia entrar em processo de insolvência, pelo que estavam todos dispensados.

“Nos últimos anos, a empresa tem tido uma rotatividade de administradores estranhamente intensa, administradores esses que claramente não souberam gerir a empresa que sempre foi bem vista nos mercados internacionais graças à qualidade do calçado produzido pelos seus trabalhadores”, refere o Bloco de Esquerda na pergunta dirigida ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

“Sempre houve muitas desavenças familiares lá dentro e os sócios estavam sem interesse nenhum na empresa – tanto que, ultimamente, eram os clientes e os trabalhadores com mais responsabilidade que ficavam a acompanhar as encomendas”, afirma a sindicalista Fernanda Moreira.

Mas os trabalhadores não ficaram apenas sem o posto de trabalho, as férias por gozar, o subsídio de Natal e o salário deste mês. Como o processo de insolvência ainda não foi assinado nem nomeado um administrador judicial, não podem sequer requerer o subsídio de desemprego.

Para os deputados Moisés Ferreira e Nelson Peralta, eleitos pelo círculo de Aveiro, “este tipo de prática por parte da administração desta empresa revela uma crueldade para com os trabalhadores e desprezo para com os direitos laborais que é inaceitável numa sociedade do século XXI”.

“Ainda na sexta-feira, a empresa despachou uma encomenda de 60.000 euros. Mas, nos escritórios, já disseram que, mesmo que o cliente pague no imediato, o dinheiro fica logo retido no banco, tantas são as dívidas que a empresa lá tem”, lamenta Fernanda Moreira, frisando que ainda não há salários em atraso e que o sindicato irá dar apoio legal aos trabalhadores.

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