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Bloco comemora vitória dos trabalhadores das lavarias das minas

Catarina Martins saudou o “enorme exemplo de luta dos trabalhadores das lavarias”, sublinhou a vitória que representa o reconhecimento do desgaste da sua profissão e acusou PS, PSD e CDS de utilizarem a União Europeia para travar direitos laborais.
Catarina Martins fazenda a sua intervenção no almoço com os trabalhadores das lavarias das minas de Neves-Corvo, 17 de fevereiro de 2019 – Foto de Paula Nunes
Catarina Martins fazenda a sua intervenção no almoço com os trabalhadores das lavarias das minas de Neves-Corvo, 17 de fevereiro de 2019 – Foto de Paula Nunes

Realizou-se neste domingo, em Almodôvar, um almoço do Bloco de Esquerda com trabalhadores das lavarias das minas de Neves-Corvo da Somincor, para comemorar a vitória destes trabalhadores que, após anos de dura luta, conseguiram ver reconhecido o desgaste da sua profissão e a antecipação da idade de reforma.

No almoço, participaram e intervieram a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, a deputada Isabel Pires, o deputado José Soeiro e António Guerreiro, trabalhador das lavarias de Neves-Corvo.

“É assim que se constrói um país mais justo”

Na sua intervenção, a coordenadora do Bloco de Esquerda dirigiu-se aos trabalhadores das lavarias da mina de Neves-Corvo, afirmando que “o vosso exemplo de luta é extraordinário” e apontando que “é assim que se constrói um país mais justo”.

Catarina Martins contou então que nas minas havia uma desigualdade entre os trabalhadores do fundo da mina e os trabalhadores das lavarias. “E essa diferença não tinha sentido porque o desgaste era o mesmo”, salientou.

“É com a vossa luta que conseguimos vitórias no parlamento”, realçou o deputado José Soeiro
“É com a vossa luta que conseguimos vitórias no parlamento”, realçou o deputado José Soeiro

“E pela vossa luta a lei diz algo que é da mais elementar justiça, mas que demorou tantos anos: que os trabalhadores das lavarias têm que ter o mesmo regime de desgaste rápido dos mineiros”, apontou Catarina Martins, destacando “estamos aqui para celebrar essa vitória e para vos dizer claramente que é a vossa vitória, a vitória da vossa luta”.

“O Bloco propôs, lutou pela proposta no parlamento, mas todos aqui sabemos, que foi a vossa luta que não deixou este assunto morrer, que permitiu avanços no parlamento”, afirmou e frisou: “Nunca esquecemos que são as lutas concretas de quem trabalha que define o país, que permite avanços. Pela nossa parte a luta não acabou aqui”.

Lembrou depois a luta pelo fim do fator de sustentabilidade para os trabalhadores que têm desgaste rápido, citando a ironia: o José Soeiro já disse, “quando virem o corte de sustentabilidade na pensão, não se esqueçam de agradecer a PSD, PS e CDS-PP”.

Recordou também a greve dos trabalhadores da Petrogal, empresa que quer a caducidade unilateral do contrato. “A Galp quer pagar menos aos seus trabalhadores”, criticou.

Trabalho por turnos e trabalho noturno

A coordenadora bloquista destacou então a luta por um novo regime de trabalho por turnos e de trabalho noturno, que está em debate no parlamento. (projeto do Bloco de Esquerda)

Catarina Martins referiu que o Bloco quer trabalho por turnos e o trabalho noturno, tenham regras rigorosas, só existam quando são absolutamente necessários, que seja verificado como se organiza, salientando que os trabalhadores “têm que ser ouvidos”, que “é preciso que trabalho seja suportável”, que os trabalhadores que o realizam tenham “acesso à reforma mais cedo”.

A concluir, Catarina Martins lembrou que este ano vai ser um ano de escolhas, sublinhando que "as escolhas têm de ser pelo que conta, e o que conta são as condições concretas da vida das pessoas”

“Nunca se esqueçam, quando PS, PSD e CDS querem travar conquistas concretas para quem vive do seu trabalho, utilizam sempre a União Europeia como desculpa e, como tal, também está nas nossas mãos tirar-lhes essa desculpa”, realçou no final Catarina Martins.

 

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