"Não só não podemos acompanhar este programa como iremos apresentar uma moção de rejeição a um programa que tem uma visão do país que não podemos acompanhar", explicou Mariana Mortágua, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República.
A líder do Bloco referiu que este é "um programa de direita que quer governar para alguns e quer concentrar os recursos do país nas mãos de alguns", e em que “contrasta uma enorme imprecisão e indefinição em matérias tão importantes como salários e carreiras, e uma enorme precisão nas medidas que são o programa dos grandes patrões, das grandes empresas, dos fundos de investimento, das elites financeiras”.
“O que este documento significa na verdade é uma brutal transferência de rendimentos, recursos e dinheiro de quem trabalha e de quem vive do seu salário para setores muito específicos da sociedade e para grandes empresas”, acrescentou Mariana Mortágua.
A coordenadora bloquista evocou, a título de exemplo, o Salário Mínimo Nacional. Se o programa da direita aponta para o objetivo de atingir os mil euros em 2028, “logo a seguir, diz que o salário mínimo vai evoluir de acordo com a produtividade e a inflação e, portanto, os mil euros não passam de um objetivo e não são qualquer compromisso deste governo”, detalhou.
No que respeita à redução de IRC para 15%, Mariana Mortágua salientou que “não há qualquer condicionante” e que são as grandes empresas que vão deixar de pagar este imposto.
A líder do Bloco fez ainda referência ao setor da saúde, assinalando que os centros de saúde “vão passar a incluir serviços de privados” e que os lares que “até agora estavam no setor social vão ser entregues ao setor privado”.
“Os grandes grupos de investimento que lá fora detêm e gerem os lares com péssimos resultados vão passar a entrar em Portugal subsidiados com o dinheiro de todos os contribuintes”, disse.
No setor do trabalho, a deputada lamentou que “o período experimental deixe de estar na lei geral e passe a ser matéria sujeita à contratação coletiva”.
“Este programa faz uma escolha muito clara sobre quem quer proteger: grandes patrões, grandes empresas, grandes lucros, interesses privados muito particulares, interesses muito específicos da especulação e da exploração do trabalho em Portugal”, defendeu.