Em conferência de imprensa esta segunda-feira, após uma reunião com a Liga dos Bombeiros Portugueses, Mariana Mortágua destacou que os recém-indicados ministros do Governo PSD-CDS, em pastas como o Trabalho, Saúde e Educação, tomaram posições a favor de cortes de salários e privatizações e, assim, “só se pode esperar o pior deste Governo”.
Para além do elenco governativo, a coordenadora do Bloco manifestou uma “enorme preocupação” de um executivo eleito com base num programa eleitoral onde não há “uma ideia sobre como resolver a crise na habitação, no SNS” nem “como subir salários e combater a precariedade”.
Essas preocupações aumentam “quando olhamos para os principais ministros e ministras das pastas centrais de problemas”.
A coordenadora bloquista passou em revista estes nomes, começando pela nova ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que enquanto foi presidente do conselho de administração do Hospital Santa Maria foi responsável pelo encerramento do serviço de obstetrícia, alegando “obras que nem iam acontecer naquele momento naquele edifício”. Isto “acabou por resultar na demissão de uma parte da equipa” do serviço, recorda.
Para além disso, “defende a privatização do acesso à saúde”, posição sobre a qual “não tem qualquer pudor”, afirmando que “o acesso à saúde deve ser privatizado, partilhado com os privados”.
Sobre Fernando Alexandre, o futuro ministro da Educação e Ensino Superior, sublinha-se que “não tem, que se saiba, qualquer posição sobre educação” e a sua trajetória é “aliás muito distante” desta área, “uma das pastas mais importantes”, com “problemas tão graves na carreira dos professores”, questões salariais e de capacidade de contratação.
Alexandre “defendeu cortar definitivamente o 14.º mês a todos os funcionários públicos, não temporariamente, mas definitivamente, e defendeu cortar também definitivamente um mês nas reformas acima dos 1.500 euros”. E durante a altura da troika “entendia que era uma boa forma de as pessoas assentarem os pés na terra e perceberem que no futuro as reformas são mais baixas”.
Sobre Maria do Rosário Palma Ramalho, que será ministra do Trabalho, Mariana Mortágua aponta um currículo “de ataque a todos os avanços que houve na lei laboral e de defesa da desregulação do trabalho”.
A conclusão é que “em três áreas centrais – Saúde, Educação, Trabalho –, temos três ministros com posições a favor da desregulação, com posições no passado de apoio a cortes salariais, nas pensões, com posições de apoio à privatização de serviços públicos essenciais”.
O Bloco pretende que o Governo avance imediatamente nas promessas eleitorais feitas sobre recuperação do tempo de serviços dos professores, equiparação do subsídio de risco das forças de segurança, estatuto dos oficiais de Justiça e redução do IVA da eletricidade.