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Bloco apresenta programa eleitoral em braille

Em visita à ACAPO, Catarina explicou que a versão em braille é um dos formatos que visa contribuir para que toda a gente seja incluída no debate eleitoral. E lamentou que, até ao momento, não haja uma palavra de PS e PSD sobre o que pretendem fazer depois do dia das eleições.
Rodrigo Santos, presidente da ACAPO, e Catarina Martins. Foto de Pedro Gomes Almeida.

O Bloco de Esquerda foi à ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal entregar o seu programa em braille.

Após uma reunião com o presidente deste coletivo, Rodrigo Santos, Catarina Martins assinalou que o Bloco disponibiliza o seu programa nos vários formatos que são necessários para que todas as pessoas possam conhecê-lo. A versão em braille é “um dos formatos que visa assegurar a acessibilidade do programa a toda a população” e que “toda a gente seja incluída no debate da campanha eleitoral”, frisou.

Durante a visita à ACAPO, Catarina chamou a atenção para “a absoluta necessidade de um avanço civilizacional no nosso país que acabe com a exclusão das pessoas com deficiência”.

“Infelizmente, a Carta dos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência não é cumprida em Portugal, e o programa do Bloco de Esquerda está comprometido com os direitos das pessoas com deficiência e com os seus direitos por uma cidadania por inteiro”, continuou.

De acordo com a ACAPO, “tem havido um recuo em Portugal até nas políticas de acessibilidade”.

“A lei das acessibilidades nunca foi cumprida, nem pelo Estado central, nem pelas autarquias, e temos observado, inclusive, alterações do ponto de vista tecnológico que têm vindo a piorar a vida das pessoas”, explicou a coordenadora bloquista.

Exemplo disso é facto de, onde existiam semáforos com sinal sonoro, passar a haver semáforos com cronómetro sem nenhum sinal sonoro. Ou a substituição de semáforos que permitiam às pessoas que estão numa cadeira que roda sinalizar que pretendem atravessar por semáforos que têm uma altura superior e não o permitem. Ou ainda ter ecrãs touch um pouco por todo o lado, muito modernos, mas sem recurso a áudio e que excluem  as pessoas cegas de toda a informação.

“É perturbante que estejamos no século XXI e as pessoas com deficiência se estejam a sentir mais excluídas e não mais incluídas”, lamentou. Catarina Martins considera também “muito preocupante” que, quando os partidos apresentam prioridades para esta área, as prioridades tenham a ver “com institucionalizar as pessoas com deficiência, em vez de lhes dar as ferramentas necessárias para poderem ter uma vida autónoma e emancipada”.


Acede aqui às propostas sobre os direitos das pessoas com deficiência incluídas no programa do Bloco de Esquerda: https://programa2022.bloco.org/capitulo-5/22-direitos-das-pessoas-com-de...


“Ninguém conhece o programa de PS e PSD”

Catarina Martins referiu-se ainda ao facto de ninguém conhecer, até à data, nenhum programa do PS e PSD: “Temos de nos perguntar se é normal que ao dia de hoje PS e PSD nem sequer tenham um programa para que alguém em Portugal possa conhecê-lo. Os dois maiores partidos em Portugal não têm programa em versão nenhuma”.

Para a dirigente bloquista, “esse é um dos problemas destas eleições”.

“O país está numa situação complicada, com tantos problemas para resolver, da saúde, do salário, do emprego, da transição climática, e não há uma palavra dos dois maiores partidos sobre o que pretendem fazer depois do dia das eleições”, rematou Catarina Martins.

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