1999. A derrota no referendo sobre a despenalização do aborto tinha sido um golpe forte para a esquerda. A paisagem política do país parecia perene e a esquerda à esquerda do PS parecia condenada à dispersão.
Há exatamente 20 anos um novo projeto político atreve-se a romper esta situação. O Bloco de Esquerda nascia da confluência de partidos históricos como a UDP, o PSR e a Política XXI mas não era apenas a tentativa de uma coligação. Desde o início desejava ser um espaço diferente. Daí que as pessoas que eram independentes dos partidos anteriores tenham desempenhado um papel fundamental logo desde o início como fundadores e militantes do partido.
O resultado foi mais do que a soma de forças e do que a conjugação de heranças. O partido-movimento que procurava começar de novo consegue ser uma novidade. Proposta inovadora, capacidade de atração de setores diversos da sociedade, sucesso eleitoral e eficácia mediática.
Um sucesso que nunca convenceu os mais recalcitrantes. Não faltaram os analistas e especialistas a prever-lhe um fim breve. Objeto político impossível na ciência do que já estava feito, o Bloco desafiava não só as mentalidades conservadoras como algumas certezas académicas e dos fazedores de opinião mais celebrados na imprensa. Acabaria rapidamente fruto das guerras fratricidas inevitáveis, ideológicas ou pelo poder. Seria reduzido à insignificância de uma agenda radical, inadaptada à sociedade em que vivemos. Ou escolheria o caminho da adaptação ao poder instituído sendo engolido pelo Partido Socialista.
Vinte anos depois, o Bloco continua o seu caminho. Uma história feita de muitas lutas e de milhares de vidas. Uma história que não acabou.