O blogger e crítico político do regime de Alexander Lukaschenko, Roman Protasevich, viajava de Atenas com destino a Vilnius, capital da Lituânia, país que faz fronteira com a Bielorrússia. Quando entrou no espaço aéreo bielorrusso, o avião foi desviado para Minsk sob escolta de um Mig-29 da força aérea deste país, onde as autoridades deteram Roman Protasevich e a sua companheira, Sofia Sapega.
Sendo realizado entre dois países da União Europeia, o voo é juridicamente um voo intra europeu, independentemente de passar por espaço aéreo fora da UE.
Protasevich é acusado pelas autoridades bielorrussas de terrorismo e de instigação ao protesto através dos seus canais de Telegram em 2020. O dissidente tem vivido na Polónia em exílio, e o país rejeitou o pedido de extradição enviado por Minsk.
Segundo relatos de outro passageiro, Prosevich disse que “estou sujeito à pena de morte aqui”. As acusações podem levar a uma pena de 15 anos de prisão. A sua localização atual é desconhecida.
Prosevich era o editor de dois canais de Telegram influentes na organização das manifestações contra o regime de Lukaschenko após a fraude eleitoral de 2020, e uma das principais vozes dissidentes do regime através do seu blog.
Num comunicado conjunto, a Irlanda, Alemanha, Lituânia, Látvia, Estónia, Polónia e República Checa, bem como os EUA, condenaram já os “atos de pirataria” e pediram a suspensão de todos os voos no espaço aéreo bielorrusso. “Este ato de terror de estado e rapto é uma ameaça para todos os que viajam na Europa. Não pode ser permitido”, afirmam.
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse que os líderes europeus iriam decidir que repercussões estes atos iriam ter. “Apelo às autoridades bielorrussas para libertarem imediatamente o passageiro detido e para garantir plenamente os seus direitos. Os líderes da União Europeia irão discutir este incidente sem precedentes durante o Conselho Europeu. O incidente não passará sem consequências”.
Esta manobra de Lukaschenko conjuga-se com um esforço amplo do regime em reprimir a oposição política e os media independentes. Opositores do regime têm sido presos, incluindo líderes políticos que fugiram para fora do país, nomeadamente uma porta-voz de Lukaschenko que desapareceu de Moscovo para reaparecer detida em Minsk.