EUA

Biden só “descobriu” no fim os perigos da oligarquia

16 de janeiro 2025 - 11:40

Descoberta tardia, aviso inútil depois de ter governado sem ter enfrentado esse perigo, ou exercício de hipocrisia da parte de quem se apoiou nos ultra-ricos. Seja como for, Biden quis despedir-se a alertar para o perigo de abusos de poder e da oligarquia.

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Joe Biden no seu últimos discurso na sala oval.
Joe Biden no seu últimos discurso na sala oval. Foto de MANDEL NGAN/EPA/Lusa.

No seu discurso de despedida na Sala Oval da Casa Branca, Joe Biden apontou baterias às ameaças de abuso de poder e ao que considera ser uma oligarquia emergente nos Estados Unidos da América.

Uma descoberta tardia, dirão uns, um aviso inútil depois de ter governado um mandato inteiro sem ter enfrentado de nenhuma forma o perigo agora enunciado, dirão outros, ou um exercício de hipocrisia política por parte de quem se apoiou politicamente em muitos desses ultra-ricos, haverá quem conclua.

De qualquer forma, no discurso que serve apenas para fabricar um "legado", o Presidente cessante indicou existir "uma perigosa concentração de poder nas mãos de umas poucas pessoas ultra-ricas"

João Vasconcelos
João Vasconcelos

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O tom foi dramático, considerando-se que "hoje, uma oligarquia está a ganhar forma na América com riqueza extrema, poder e influência que literalmente ameaça toda a nossa democracia". Estes ultra-ricos perigosos que ele identifica são especificamente os do "complexo industrial tecnológico".

Um dos âmbitos em que se manifestaria este poder são as questões climáticas, pois aponta o dedo a "forças poderosas" que "querem eliminar os passos" que ele garante ter tomado para lidar com a crise climática.

Outro é a desinformação e ameaças à liberdade de imprensa. Biden afirmou que "os americanos estão a ser enterrados sob uma avalanche de má informação e desinformação permitindo o abuso de poder".

Por outro lado, "a imprensa livre está em derrocada, os editores estão a desaparecer. As redes sociais estão a desistir da verificação de factos. A verdade é abafada por mentiras contadas pelo poder e pelo lucro."

O Presidente cessante dos EUA salientou ainda o tema da Inteligência artificial, avisando para os seus "perigos potenciais". Pelo que sem "salvaguardas adequadas" haverá "novas ameaças aos nossos direitos, à nossa forma de vida, à nossa privacidade, a como trabalhamos e protegemos a nossa nação".

Claro que durante o discurso não deixou de salientar o que considerou positivo na sua presidência, vincando a recuperação económica pós-Covid 19, um investimento em infraestruturas que qualificou como histórico, a descida do preço de medicamentos e medidas para controlar o uso de armas no país.

Já numa intervenção anterior tinha falado no acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas depois de 15 meses de um genocídio que lhe ficou colado à pele.

Sob a forma de propostas para o futuro, não deixou ainda de lançar farpas concretas ao seu sucessor. Pugnou pela eliminação do "dinheiro obscuro" nos donativos para as campanhas eleitorais, pela proibição da transação de ações por parte dos membros do Congresso e pela imposição de limites de mandato de 18 anos para os membros do Supremo Tribunal.

Mais claro ainda, defendeu uma alteração da Constituição "para deixar claro que nenhum presidente – nenhum presidente – é imune aos crimes que comete enquanto está no cargo".