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“BES mostrou um sistema desenhado para premiar o assalto da banca ao país”

Para o Bloco de Esquerda, a comissão de inquérito comprovou que o esmagamento que o setor financeiro está a fazer ao país “não é um problema pontual, não é o problema de um banqueiro que agiu mal”.
Catarina Martins falou aos jornalistas durante a apresentação, no mercado de Benfica, do Manifesto +60, destinado aos reformados e idosos. Foto de Paulete Matos
Catarina Martins falou aos jornalistas durante a apresentação, no mercado de Benfica, do Manifesto +60, destinado aos reformados e idosos. Foto de Paulete Matos

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu esta quinta-feira que a Comissão de Inquérito à Gestão do BES/GES trouxe às pessoas uma nova consciência do papel do sistema financeiro em Portugal, na forma como este foi desenhado.

"Julgo que depois desta comissão de inquérito não há ninguém que não perceba que, em Portugal, o esmagamento que o setor financeiro está a fazer ao país não é pontual, não é o problema de um banqueiro que agiu mal", sublinhou, acrescentando que “é um problema de um sistema que está desenhado para premiar o assalto da banca ao país”.

Catarina Martins: "É um sistema que está desenhado para premiar o assalto da banca ao país”.

Recordando que “em seis anos, seis bancos foram intervencionados pelo Estado, seis vezes o dinheiro dos contribuintes esteve em jogo”, Catarina Martins apontou que “esta consciência é importante, porque permite às pessoas fazerem escolhas diferentes no momento de decidirem quem querem que as represente”.

Buracos na lei

A deputada sublinhou que, para o Bloco de Esquerda, a comissão de inquérito foi uma "experiência importante", que permitiu descobrir muitos buracos na lei. “Hoje temos noção de uma série de mecanismos que podem ser usados para fazer o assalto ao país”, afirmou Catarina Martins, que adiantou que, desta experiência, “o Bloco de Esquerda apresentará uma série de projetos de lei que dão resposta ao que aconteceu, para que não se possa repetir”.

A porta-voz do Bloco de Esquerda disse ainda esperar que o relatório “aponte falhas” e permita corrigir, "do ponto de vista pontual" algumas questões, nomeadamente de regulação, mesmo "não resolvendo o problema principal".

O relatório preliminar da comissão de inquérito está a ser apresentado no parlamento nesta quinta-feira. Até o dia 23 serão apresentadas as propostas de alteração, e no dia 29 de abril o texto final terá de estar pronto.

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