Esta condenação é “uma verdadeira perseguição judicial sem precedentes”, afirmou o ex-primeiro ministro italiano e suporte da actual coligação governamental. “Devemos continuar a combater, a fazer política, para realizar todas as reformas necessárias, em primeiro lugar a da Justiça”, acrescentou.
O Supremo Tribunal condenou Berlusconi a quatro anos de prisão – reduzidos a um devido a um indulto - mas anulou a interdição de exercer cargos públicos durante cinco anos, decidindo reenviar esta decisão para análise do Tribunal da Relação de Milão.
Os advogados de Berlusconi consideraram a sentença "injusta" e declararam-se dispostos a recorrer "para instâncias europeias". A proibição de ocupar cargos públicos era, porém, a questão mais sensível para o ex-primeiro ministro, que pode continuar como senador e como presidente do Povo da Liberdade.
A condenação de Silvio Berlusconi corresponde a uma acusação por fraude fiscal - a primeira definitiva de um dos 18 processos em que está envolvido - por ter artificialmente inflacionado o preço de direitos televisivos do seu grupo de media, Mediaset, prejudicando os acionistas e o fisco. Segundo a decisão dos tribunais, o ex-primeiro ministro inflacionou o preço de direitos de transmissão de séries e filmes comprados pela Mediaset, a filial de audiovisual da sua holding Fininvest. Parte do dinheiro foi colocado num saco azul e pelo menos 34 milhões terão beneficiado o próprio Berlusconi. Os acionistas foram prejudicados e a fuga ao fisco foi de pelo menos sete milhões de euros entre 2001 e 2003, anos em que o chefe da direita italiana era primeiro ministro.
“Nunca criei um sistema de fraude fiscal”, protesta Berlusconi. “Orgulho-me de ter contribuído para a riqueza do país pagando milhares de milhões de impostos ao Estado italiano.”
O Partido Democrático Italiano, que ocupa o espaço da “esquerda” no arco da governação italiana, declarou-se “amargurado” com a situação mas acrescentou que o problema que atinge o seu principal parceiro de coligação “não lhe diz respeito” e vai continuar a apoiar o governo de Enrico Letta.
"Esta sentença não vai afectar o Governo Letta, que foi criado para servir o país e que no que nos diz respeito vai continuar a fazê-lo", disse Nitto Palma, ex-ministro da Justiça e dirigente do PDI.
Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.