Banca

BCP, Santander e Novo Banco já lucraram 2.114 mihões este ano

30 de outubro 2025 - 11:18

No momento em que o Governo retirou o imposto de solidariedade sobre a banca sem criar alternativa e prometeu devolver aos bancos cerca de 200 milhões de euros, os três grandes bancos privados comunicaram lucros avultados nos primeiros nove meses do ano.

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Millenium BCP.
Millenium BCP. Foto de Paulete Matos.

Os três maiores bancos privados a operar em Portugal já somaram lucros até setembro de 2.114 milhões de euros. Os números foram anunciados na semna em que o Governo retirou do Orçamento do Estado o imposto adicional de solidariedade sobre a banca, que tinha sido chumbado pelo Tribunal Constitucional, sem introduzir uma taxa alternativa que evitasse dúvidas sobre a sua constitucionalidade. O ministro das Finanças anunciou também a devolução desse imposto já pago pelos bancos nos últimos anos, que ascende a cerca de 200 milhões de euros.

O BCP comunicou lucros no valor de 775,9 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano. Trata-se de uma subida de 8,7% relativamente ao mesmo período do ano anterior. Se considerarmos apenas a atividade em Portugal o crescimento situa-se nos 8%, ou seja 654,5 milhões de euros.

Na parte internacional, a subida foi maior, 19,8%, mas menos expressiva em termos de valor absoluto: 230,7 milhões de euros. Aqui, o destaque vai todo para a Polónia. O Bank Millennium deu 202 milhões de euros de lucros. Muito acima do moçambicano BCI que se ficou pelos 25,4 milhões de euros, o que representa aliás uma queda de 58,9%.

Para além da margem financeira (a diferença entre os juros cobrados nos créditos e os juros pagos nos depósitos) ter subido, 2,6% até 2.166 milhões de euros, este banco também lucrou mais 4% com as comissões, chegando aos 628,8 milhões de euros de lucros.

No que diz respeito aos créditos, também se registou um aumento, este de perto de 4,9% para 61,5 mil milhões de euros. Neste particular, o crédito à habitação aumentou em mil milhões de euros, chegando a um total de 29,6 mil milhões, e o crédito pessoal subiu ligeiramente para 7,7 mil milhões de euros. Os empréstimos aumentaram de 22,7 mil milhões para 24,1 mil milhões de euros.

Já o Santander Portugal, nos mesmos nove primeiros meses do ano, teve lucros de 728,2 milhões de euros. No caso deste banco, isto significa uma diminuição de 6,4% em termos homólogos com a margem financeira estrita a cair 17,3%, chegando aos 1.029,5 milhões de euros.

Este comunicou um aumento de 56 mil novos clientes ativos, reivindicando ter 1,94 milhões. O destaque vai para o crédito à habitação no qual banco ganha cerca de 20% do montante de novas hipotecas.

O Santander Portugal aumentou o que recebeu das comissões líquidas em 5,9%, para 365,2 milhões de euros.

Abaixo destes dois, mas também avultados, foram no mesmo período os lucros do Novo Banco: 610 milhões de euros. Neste caso, foram mais 100 mil euros do que o ganho nos primeiros nove meses de 2024.

Ao contrário do seu concorrente, no Novo Banco a margem financeira caiu 6,5% para os 829 milhões de euros. No caso do produto bancário comercial (as margens e as comissões somadas), os lucros foram de 1.095 milhões, uma queda de 2,8%. Tomadas isoladamente as comissões, houve uma subida de 10,7%, alcançando os 266,1 milhões. Os depósitos de clientes registaram aumentos. De 3,8% para 30,9 mil milhões face a dezembro e de 4,7% relativamente a setembro do ano passado.