BCE quer incluir cripoativos na lista de riscos, Portugal solidifica a sua “criptoeconomia”

14 de dezembro 2022 - 8:51

A presidente do Banco Central Europeu reconheceu o risco sistémico da relação dos criptoativos com o sistema financeiro tradicional. onsultora calcula que em Portugal tenham sido transacionados 30 mil milhões de euros em criptomoedas no espaço de um ano.

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Christine Lagarde. Foto Adrian Petty/ECB/Flickr

Na passada quinta-feira, Christine Lagarde sublinhou na Conferência do Comité Europeu do Risco Sistémico o risco inerente dos criptoativos e a necessidade de melhor supervisão deste setor.

A propósito da sua volatilidade inerente, a presidente do BCE lembrou “após um pico em novembro de 2021, o preço da Bitcoin caiu quase 75% no espaço de um ano e ainda no mês passado assistimos ao caótico colapso do FTX, uma corretora de criptoactivos que chegou a estar avaliada em 32 mil milhões de dólares”.

Lagarde reconheceu que até agora estes episódios tiveram impactos limitados, mas frisou que as interligações com o sistema financeiro tradicional se fortalecem e que daí poderá advir um risco sistémico que merece ser considerado pela regulamentação financeira.

Mais especificamente, afirmou que “a monitorização precisa de ser complementada com uma regulamentação das atividades de empréstimo e de staking e finalmente, a evolução do mercado em finanças descentralizadas deve ser tida em consideração”. Já tinha levantado estes pontos sobre a necessidade de criação de um MiCA II, visto que a atual Regulamentação sobre Mercados de Ativos Cripto (MiCA) apenas estará efetiva em 2024 e com reconhecidas insuficiências.

Por seu turno, Fabio Panetta, membro da comissão executiva do BCE, voltou a insistir na sua posição de tributação e regulação forte do setor: “há uma necessidade urgente a nível global de regulação para proteger os consumidores dos riscos dos criptoativos, para definir requisitos mínimos para gestão de risco e governo da sociedade de empresas cripto, e reduzir os riscos de contágio das ‘stablecoins’. Também devemos taxá-los de acordo com os seus custos sociais”. Simplificou dizendo “servem para jogar a dinheiro e são, em suma, a bolha de uma geração”.

Portugal solidifica a sua “criptoeconomia”

Enquanto se torna mais evidente a natureza especulativa do setor, Portugal reforça a utilização de criptoativos. Segundo notícia do jornal Expresso, a consultora Chainalysis contabiliza um aumento do volume de criptoativos transacionados em Portugal: entre julho de 2021 e junho de 2022 aumentaram em 5%, ascendendo a cerca de 30 mil milhões de euros.

Para que se tenha uma dimensão da escala, este volume representa cerca de 14% do PIB português para 2021. Ainda que o aumento tenha sido mais tímido face a outros países, a dimensão das transações face ao PIB coloca Portugal como o 8º país em 31 com mais transações registadas.